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Juros futuros: Véspera de decisão do Copom é marcada por instabilidade

Instabilidade é uma palavra que define bem o comportamento do mercado de juros nesta terça-feira (15). As taxas foram pressionadas, mais uma vez, pela aversão ao risco que tomou os ativos globais. No entanto, assim que o exterior atenuou o sinal negativo, investidores aproveitaram os níveis elevados dos DIs para fazer novas aplicações.

Entre a máxima e a mínima no dia, algumas taxas percorreram mais de 20 pontos-base ao longo da sessão. O DI janeiro de 2025, por exemplo, chegou a cair para 10,040% depois de bater 10,270% no começo dia. No fim da sessão regular, enquanto o vaivém se acomodava, a taxa era negociada a 10,100%, pouco acima do nível de 10,080% no ajuste anterior.

"Parece que o mercado 'encontrou' um nível onde começa a entrar player novo", diz o operador de uma corretora bastante ativa no segmento. "Depois de tanta piora, chega um momento em que o mercado começa a se autoajustar", acrescenta o profissional.

Incertezas

Ainda assim, a instabilidade do mercado evidencia o ambiente de incertezas e poucas definições no mercado. "Ainda existem dúvidas sobre o tamanho da pressão externa, para onde o dólar pode ir e como o BC pode atuar no câmbio", diz outro profissional. "A depender da leitura de cada um, tem espaço para se operar em qualquer um dos lados."

Com solavancos no meio do caminho, vai ficando para trás o cenário bem estruturado de expectativas para a política monetária. Até recentemente, havia mais convicção de que a Selic cairia, pela última vez, agora em maio e só voltaria a subir em meados do ano que vem. No entanto, "o estresse do câmbio, num ambiente de incertezas eleitorais, embaralha as cartas desse jogo", diz o trader Matheus Gallina, da Quantitas.

O ambiente mais adverso tem, dentre seus principais fatores, o novo salto dos rendimentos (yields)dos títulos do Tesouro americano, o que força uma reprecificação global nos mercados. O yield do título de 10 anos voltou a superar os 3% e bateu o maior nível desde 2011, em meio a preocupações sobre um aperto monetário mais duro do Federal Reserve diante da valorização do petróleo.

Inflação

"Tem um claro componente externo afetando os mercados, até porque não daria para passar ileso de um avanço dos juros americanos", aponta o executivo de uma gestora. O profissional chama a atenção para o firme avanço do juro real das NTN-Bs, num ritmo até mais elevado que a inflação implícita projetada pelos mesmos papéis. Isso sinaliza, acrescenta o profissional, que o mercado tem elevado o prêmio de risco, enquanto ainda existe a percepção de inflação contida no Brasil.

No caso da NTN-B para agosto de 2026, por exemplo, a taxa real gira, atualmente, perto de 4,68% com alta de 33 pontos-base ante 4,35% há cerca de um mês. Já a inflação implícita do mesmo papei saiu de 4,52% para 4,64%.

O "dilema" entre a inflação contida no Brasil e a piora do exterior é algo que o Banco Central deve enfrentar em sua decisão de juros, que será anunciada nesta quarta (16). A expectativa majoritária de analistas é de que o Copom decida pelo corte da Selic para nova mínima histórica, de 6,25%. Por outro lado, o mercado não aposta nisso com tanta convicção.

Por volta das 17h45, o DI janeiro/2019 estava em 6,330% (de 6,360% no ajuste anterior), oDI janeiro/2020 caía a 7,310% (7,410% no ajuste anterior), oDI janeiro/2021 registrava 8,430% (8,480% no ajuste anterior), oDI janeiro/2023 operava a 9,610% (9,610% no ajuste anterior), e oDI janeiro/2025 marcava 10,080% (10,080% no ajuste anterior).

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