ipca
0,45 Out.2018
selic
6,5 31.Out.2018
Topo

Real renova mínima em 25 meses com ansiedade sobre juros

16/05/2018 17h49

Em meio à ampla expectativa pela sinalização de política monetária do Banco Central do Brasil, o dólar comercial voltou a subir, cravando nova máxima em 25 meses e flertando por mais uma vez com o nível de R$ 3,70. No mercado futuro, a taxa do vencimento mais curto bateu R$ 3,7000. O segundo pior desempenho global no dia confirma que foram fatores internos tiveram maior peso sobre o câmbio hoje.

No mercado, há avaliações de que o BC precisa emitir um sinal mais duro em relação aos riscos associados a novas quedas dos juros para amenizar a depreciação do real, que no ano já chega 9,9% - terceiro pior desempenho global em 2018.

A queda dos diferenciais de juros é apontada como um dos "drivers" principais da desvalorização cambial. De fato, desde fevereiro de 2017, o dólar sobe 20%, enquanto o spread entre a Selic e a média das taxas de juros de um grupo de países emergentes recuou de 6,14 pontos percentuais para 1,17 pontos.

Câmbio vs diferencial de juros

Real se desvaloriza com queda de juro "extra" do Brasil

Fonte: Valor PRO

Observações: Spread: eixo da esquerda. Taxa de câmbio: eixo da direita

A baixa da meta Selic desde 2016 combinada com a alta dos juros nos Estados Unidos reduziu o diferencial de taxas a favor do Brasil a mínimas recordes. E esse menor spread - que na prática barateia o custo de posições vendidas em reais - tem sido apontado por analistas como um dos principais "drivers" para a desvalorização da moeda brasileira, que se aprofundou à medida que o dólar passou a ganhar força em todo o mundo desde meados de abril.

Analistas do banco Brown Brothers Harriman consideram que o BC já cortou excessivamente o juro quando se leva em conta o crescente risco político doméstico. Portanto, será preciso uma indicação mais firme de fim do ciclo para tentar parar a espiral de queda do real.

"Achamos inclusive que o real fraco eleva as chances de uma surpresa 'hawkish' [inclinada a aumento de juros] e de nenhum corte nesta quarta-feira", afirmam.

No fechamento, o dólar comercial subiu 0,47%, a R$ 3,6790. É o maior patamar de encerramento desde 7 de abril de 2016 (R$ 3,6918).

Na máxima, a cotação foi a R$ 3,6955, pico desde a mesma data, quando bateu R$ 3,7189.

Mais Economia