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Dólar bate R$ 3,69 e juros curtos sobem um dia após decisão do BC

17/05/2018 09h18

(Atualizada às 11h35)Os mercados de câmbio e juros futuros se ajustam à surpresa do Banco Central (BC), que ontem manteve a taxa Selic em 6,5% ao ano, diante dapiora do balanço de riscos, principalmente, em relação ao ambiente externo. Boa parte das apostas, no entanto, apontava para um novo corte da taxa básica de juro.

O dólar comercial abriu em queda, na casa de R$ 3,66, reduziu o ritmo de baixa e passou para o patamar de R$ 3,67 ainda na primeira hora de negócios. Na sequência, a moeda americana zerou a queda e passou a operar no campo positivo, batendo R$ 69. Pouco depois das 11h30, o dólar estava a R$ 3,6841, com valorização de 0,14%. Na mínima, ficou em R$ 3,6490; na máxima, por ora, em R$ 3,6965.

Os juros futuros de curto prazo dispararam na abertura da sessão desta quinta-feira, evidenciado a surpresa no mercado com adecisão do Comitê de Política Monetária (Copom)anunciada no dia anterior.

No mercado de juros futuros, o DI janeiro/2019 avançava a 6,545% (6,320% no ajuste anterior); O DI janeiro/2020 subia a 7,500% (7,340% no ajuste anterior); O DI janeiro/2021 tinha alta a 8,540% (8,460% no ajuste anterior); O DI janeiro/2023 recuava a 9,610% (9,630% no ajuste anterior); DI janeiro/2025 cedia a 10,070% (10,110% no ajuste anterior).

A correção no mercado de DI fica clara no avanço da ordem de20 pontos-base no DI janeiro de 2019 e no DI janeiro de 2020, que refletem as leituras para política monetária até o encerramento do próximo ano. Se mantida a variação até o fim do dia, será o maior solavanco para o DI janeiro de 2019 desde que o mercado foi tomado pelas denúncias de executivos da JBS contra o presidente Michel Temer, há um ano. Na ocasião, a alta nesses trechos foi de 100 pontos-base.

De acordo com um operador, a decisão do Copom pega o mercado "na contramão", principalmente, após a entrevista do presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, realizada na semana passada, um dia antes do período de silêncio.

Na ocasião, o dirigente do BC destacou a importância da inflação, expectativas para índices de preço e a atividade econômica para as decisões de política monetária. Para boa parte do mercado, a mensagem na ocasião foi de que ainda haveria espaço nos fundamentos econômicos para corte da Selic, a despeito da instabilidade do câmbio.

O contexto de liquidez internacional menos favorável foi fator preponderante na decisão do Copom de ontem, destaca o economista-chefe do Rabobank Brasil, Maurício Oreng. Para o especialista, o risco externo fez o Copom alterar o plano de curtíssimo prazo. No comunicado, o colegiado associa a decisão a uma deterioração no balanço de riscos com um cenário externo pior. Isso teria tornado desnecessária a adoção de mais estímulo, que anteriormente visava mitigar riscos de postergação no processo de convergência da inflação para a meta.

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