ipca
-0,09 Ago.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Dólar 'ignora' Copom e bate R$ 3,71; juros futuros avançam e Bolsa cai

17/05/2018 13h47

O "efeito Copom" no câmbio teve vida curta, e o dólar, que pela manhã chegou a cair, mudou a direção para alta e superou a marca de R$ 3,70 pela primeira vez em 25 meses. Na máxima, a cotação bateu R$ 3,7131, maior nível desde abril de 2016.Às 13h46, o dólar comercial subia 0,71%, a R$ 3,7051.

A moeda havia iniciado os negócios em firme queda, registrando a mínima do dia já na abertura (R$ 3,6490), em baixa de 0,82%. Ao longo da manhã, contudo, as vendas foram cessando até que a cotação virou e passou para o campo positivo, acelerando os ganhos por volta de 13h.

A percepção é que, a despeito do movimento do Banco Central (BC) de não subir os juros, o cenário para a taxa de câmbio segue mais no sentido de desvalorização do que de um alívio consistente.

Na pesquisa Focus do BC, há apostas de que o dólar chegará a R$ 3,81 no próximo mês de outubro, quando ocorrerão as eleições presidenciais. E essa estimativa está em alta. No começo de maio, por exemplo, a cotação máxima esperada para outubro não passava de R$ 3,7. Já hoje o dólar superou R$ 3,71.

Ao mesmo tempo que o cenário global segue amparando alta do dólar no Brasil, a escalada da moeda para os patamares atuais e a velocidade do movimento podem sugerir que a depreciação do real pode estar exagerada.

Apenas em maio, o real perde 5,4%, terceiro pior desempenho entre as principais moedas. No ano, o dólar dispara 11,8%.

Juros

O mercado de juros deixa claro o tamanho da surpresa com a decisão de política monetária do BC. As taxas de curto prazo dispararam na abertura e não arredaram o pé das máximas no dia, numa evidência de reversão das apostas para um novo corte da meta Selic.

Na contramão das expectativas de boa parte dos profissionais de mercado, o Copom manteve a taxa em 6,50% ao ano diante da piora do balanço de riscos, principalmente, em relação ao ambiente externo.

A correção no mercado de DI fica clara no avanço superior a 20 pontos-base no DI janeiro de 2019, que refletem as leituras para política monetária até o fim deste ano.Se mantido até o fim do dia, será o maior solavanco para esse contrato desde que o mercado foi tomado pelas denúncias de executivos da JBS contra o presidente Michel Temer há um ano. Na ocasião, a alta foi bem maior, na casa de 100 pontos-base.

Os profissionais evitam criticar a decisão da autoridade monetária já que a escalada do dólar e as incertezas externas justificam uma postura mais cautelosa. No entanto, a discurso recente dos dirigentes do BC não conseguiram transparecer as leituras ou dar sinais sobre a atuação.

De acordo com um operador, a decisão do Copom pega o mercado "na contramão", principalmente, após a entrevista do dirigente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, realizada na semana passada, um dia antes do período de silêncio.

Na ocasião, o dirigente do BC destacou a importância da inflação, expectativas para índices de preço e a atividade econômica para as decisões de política monetária. Para boa parte do mercado, a mensagem na ocasião foi de que ainda haveria espaço nos fundamentos econômicos para corte da Selic, a despeito da instabilidade do câmbio.

Na avaliação do economista chefe do Citi Brasil, Leonardo Porto, o BC parece ter adotado um novo "modus operandi" para suas decisões de política monetária. Ao anunciar o fim do ciclo de flexibilização monetária, a autoridade baseou a decisão na deterioração do balanço de riscos em vez de se apoiar em maior grau nas expectativas de inflação.

Já o economista Marco Caruso, do Banco Pine, notou que o balanço de riscos teve papel central na decisão do Copom. Ele disse que mais que as condições objetivas - ou seja, o cenário prospectivo sugerido pelo modelo e suas premissas - pesou na decisão a intensificação da mudança no cenário externo e os "ajustes nos mercados financeiros internacionais".Assim, a evolução do cenário básico e, principalmente, do balanço de riscos tornou desnecessária uma flexibilização monetária adicional, que visaria afastar os riscos de postergação da convergência da inflação às metas. "Objetivamente, ainda se projeta inflação abaixo da meta, mas, subjetivamente, haveria risco não desprezível (na visão do Copom) nesse cenário", diz Caruso.

Por volta das 13h46, DI janeiro/2019 subia a 6,575% (6,320% no ajuste anterior); oDI janeiro/2020 avançava a 7,550% (7,340% no ajuste anterior); e oDI janeiro/2021 marcava a 8,600% (8,460% no ajuste anterior). ODI janeiro/2023 subia a 9,690% (9,630% no ajuste anterior); e oDI janeiro/2025 tinha alta a 10,160% (10,110% no ajuste anterior).

Bolsa

Num dia amplamente negativo, o Ibovespa recua e já perdeu o nível de 85 mil pontos, influenciado pelo mau desempenho das blue chips. A maior aversão ao risco no exterior, combinada a um movimento de correção após as fortes altas do dia anterior, afetam inclusive Petrobras e Vale, que vinham dando sustentação ao índice nos últimos dias.

Por volta de 13h46, o Ibovespa recuava 2,07%, aos 84.748 pontos, após mínima aos 84.703 pontos. O giro financeiro somava R$ 7,3 bilhões, ritmo que implica nu volume de R$ 14 bilhões ao fim do pregão.

Para Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial Research, o mercado acionário passa por um ajuste de posições. "O Banco Central, órgão que faz as políticas monetárias, vê um balanço de risco maior da economia internacional. Isso acaba contaminando a percepção de risco dos agentes locais", diz.

A correção ocorre após um dia de altas expressivas no Ibovespa ? ontem, o índice fechou com valorização de 1,65%, aos 86.537 pontos, impulsionado pelas ações de Petrobras e Vale. Figueredo analisa que tais papéis vinham dando sustentação ao índice e compensando o mau desempenho de outros setores, como bancos, varejo e educação.

Tinham queda Petrobras PN (-0,77%), Petrobras ON (-1,45%) e Vale ON (-0,59%) . Apesar da manutenção das commodities em patamares elevados, os investidores optam por uma leve realização de lucros ? os papéis apresentam os maiores ganhos do Ibovespa no mês de maio.

Além disso, o mercado segue atento às novidades relacionadas à revisão do acordo de cessão onerosa entre União e Petrobras. Os ministérios da Fazenda e de Minas e Energia preparam um comunicado sobre a revisão do contrato; o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, disse que o relatório da comissão montada para discutir o tema será "um bom ponto de partida" para conversar com a estatal.

No exterior, a crescente preocupação em relação ao ritmo de ajuste monetário nos Estados Unidos, além da progressão dos rendimentos dos Treausires de 10 anos acima dos 3%, geram uma onda global de aversão ao risco que afeta sobretudo os mercados emergentes, incluindo o Ibovespa.

Na ponta negativa, destaque para Itaú Unibanco PN (-3,29%), Bradesco PN (-2,75%) e Banco do Brasil ON (-4,09%).

O \"efeito Copom\" no câmbio teve vida curta, e o dólar, que pela manhã chegou a cair, mudou a direção para alta e superou a marca de R$ 3,70 pela primeira vez em 25 meses. Na máxima, a cotação bateu R$ 3,7131, maior nível desde abril de 2016.Às ","image":"","date":"17/05/2018 14h04","kicker":"Valor Online"}}' cp-area='{"xs-sm":"49.88px","md-lg":"33.88px"}' config-name="economia/economia">

Mais Economia