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Telecom Italia nega racha entre investidores sobre venda da TIM Brasil

17/05/2018 11h52

Não existe conflito entre os investidores da Telecom Italia sobre a operação da companhia no Brasil, disse ontem (17) Amos Genish, diretor-presidente da operadora de telecomunicações em teleconferência com analistas sobre os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2018.

"A TIM Brasil não está à venda e é lucrativa sozinha. Acredito que todos no conselho de administração não têm dúvidas sobre a alta qualificação do comando da TIM Brasil. Estamos confortáveis com esse cenário, que é mais simples do que vem sendo mencionado", disse o executivo.

No início deste mês, a Telecom Italia passou a ter um novo controlador, o fundo ativista americano Elliott, que venceu disputa de acionistas com o grupo de mídia francês Vivendi para garantir o comando do conselho de administração da operadora.

Representantes do bilionário Paul Singer, que possui 8,8% do capital social da operadora, conseguiram 49,84% dos votos e nomearam dez diretores para o colegiado. A Vivendi, maior acionista com 23,94% das ações ordinárias, elegeu cinco candidatos, entre eles Genish.

Durante a teleconferência, o executivo comentou que o colegiado não discute planos alternativos para a TIM Brasil. "Acreditamos que a operação no país é estratégica para nós. É um ativo lucrativo e que continuará a dar suporte para a geração de caixa da Telecom Italia".

Sobre a possibilidade de consolidação do mercado de telecomunicações brasileiro, que pode incluir a possível venda da Oi, em recuperação judicial, Genish disse que esse cenário precisa ser avaliado cuidadosamente.

A participação da TIM Brasil no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da controladora Telecom Italia durante o primeiro trimestre deste de 2018 aumentou para 19,3% ante 18,7% verificados em igual período do ano passado.

A operação brasileira reportou 365 milhões de euros no período ante 372 milhões um ano antes. O resultado foi impactado por efeito cambial. A maior operadora de telecomunicações da Itália obteve Ebitda consolidado de 1,893 bilhão de euros, queda de 4,9%.

De janeiro a março, a margem Ebitda da TIM Brasil cresceu, passando de 31,6% para 35,2%. Entretanto, a margem Ebitda consolidada da controladora caiu para 39,9% ante 41,3%. No mercado doméstico da Telecom Italia, o indicador ficou caiu 3,1 pontos percentuais, a 41,3%.

Em relação à receita, a fatia brasileira no total recuou para 21,9% ante 24,5% nos três primeiros meses de 2017. A TIM Brasil reportou receita de 1,037 bilhão de euros, queda de 12,2% na variação anual. No consolidado, a receita da Telecom Italia caiu 1,6%, a 4,742 bilhões de euros.

Ontem, as ações da operadora brasileira (TIMP3) caíram 5,8%, cotados a R$ 13,48. Analistas ouvidos pelo Valor consideram que o desempenho reflete a assinatura do contrato de licenciamento de uso de marca com a Telecom Italia, assinado na véspera. O acordo tem duração até 31 de dezembro de 2020, no qual a TIM pagará 0,5% da receita líquida anual.

A possibilidade de aumentar a alíquota para 0,7% da receita a partir de 2019 foi excluída do contrato. Em relatório, os analistas Susana Salaru e Vitor Tomita, do Itaú BBA, disseram que o contrato assinado com a matriz foi positivo porque a chance de a alíquota aumentar a partir de 2019 foi excluída. "Em nossa opinião, a reação do mercado ao acordo original foi exagerada".

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