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Walmart admite que avalia opções para operação no Brasil

17/05/2018 09h05

(Atualizada às 14h11) Pela primeira vez desde o ano passado, quando a operação do Walmart no Brasil começou a ser negociada para a venda, o grupo americano admitiu que "está considerando opções" para o Brasil. A informação foi dada por Brett Biggs, vice-presidente executivo e diretor financeiro do grupo no mundo, nesta quinta-feira (17), durante anúncio de resultados no 1º trimestre.

A companhia não deu mais detalhes sobre o assunto.

O Valor antecipou no dia 27 de abril que a empresa de private equity Advent tem o direito de exclusividade nas negociações para a compra do controle do negócio. E as conversas entre as partes, até o fim de abril, envolviam a aquisição de 80% da rede - os americanos ficariam com os 20% restantes. Já existem executivos brasileiros sendo cotados pela Advent para comandar o negócio no país - o principal nome hoje, em fase de negociação, é de Luiz Fazzio, ex-CEO do Carrefour, apurou o Valor.

A Advent não tem se manifestado sobre o assunto.

Sobre o Brasil, o comando da varejista ainda mencionou que a operação local afetou os números da braço internacional do grupo. O lucro operacional desses negócios cresceu 11% no primeiro trimestre, mas o país teve efeito negativo no balanço internacional por conta do processo de migração no comércio eletrônico. Desde o fim de 2017, o negócio de venda direta ao cliente tem sido reduzido e está crescendo o braço de "marketplace" (shopping virtual).

Essas mudanças afetam mais drasticamente receita líquida e margens de companhias que decidem mudar o foco do negócio desta forma. Biggs mencionou aos analistas "ventos contrários" afetando alguns negócios, como o Brasil, por conta nessa mudança no braço digital.

A varejista americana Walmart divulgou hoje que obteve no primeiro trimestre do ano fiscal de 2019, encerrado em 30 de abril, um lucro líquido de US$ 2,1 bilhões (US$ 0,72 por ação), uma queda de 30% em relação aos US$ 3 bilhões (US$ 1,00 por papel) registrados no mesmo período do ano fiscal de 2018.

O resultado foi prejudicado pelo investimento que a companhia realizou na varejista chinesa JD.com, no ano fiscal fiscal de 2017. No primeiro trimestre, o valor da empresa recuou em US$ 1,8 bilhão. A situação foi parcialmente compensado pelos ganhos relativos à reforma tributária dos Estados Unidos. Ainda assim, o lucro antes da incidência de impostos recuou 39,6%, para US$ 2,8 bilhões.

Desconsiderando estes itens não recorrentes, o lucro por ação nos primeiros três meses do ano fiscal foi de US$ 1,14, acima do US$ 0,72 reportados no primeiro trimestre do ano fiscal anterior, ficando acima da média das expectativas coletadas pela consultoria FactSet com analistas de mercado, de US$ 1,12.

A receita da companhia, na mesma base de comparação, cresceu 4,4%, indo de US$ 117,5 bilhões para US$ 122,7 bilhões. O resultado veio acima dos US$ 120,5 bilhões aguardados pelo mercado, segundo a FactSet. Excluindo efeitos cambiais, a receita foi de R$ 120,7 bilhões, aumento de 2,7%.

As vendas de produtos resultaram em uma receita de US$ 121,6 bilhões, enquanto os ganhos com clubes de compra e outros itens cresceram 4,3%, para US$ 1,06 bilhão.

Sam's Club

Nos Estados Unidos, a receita cresceu 3%, para US$ 78 bilhões, com as vendas comparáveis subindo 2%, puxado pelas vendas feitas pelo site. O Sam's Club registrou uma queda de 3% nas vendas, para US$ 13,6 bilhões, com o fechamento de 63 clubes nos Estados Unidos tendo um efeito negativo de 8%. As vendas comparáveis, por sua vez, subiram, 4%.

As operações internacionais registraram alta de 12%, para US$ 30,3 bilhões, com o câmbio colaborando para elevar o montante em US$ 2 bilhões. O lucro operacional cresceu 11% no primeiro trimestre do ano fiscal de 2019.

Em relação ao acumulado do ano fiscal de 2019, a varejista anunciou que a compra de 77% na empresa indiana de comércio eletrônico Flipkart, por US$ 16 bilhões, anunciada no começo de maio, terá um efeito negativo entre US$ 0,25 e US$ 0,30 no lucro por ação.

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