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Crise de emprego e evasão escolar elevam número de jovens 'nem-nem'

18/05/2018 10h16

(Atualizada às 10h22) Apesar do fim da recessão, a parcela mais jovem da população ainda sentia os reflexos da crise em 2017. O país tinha 11,16 milhões de pessoas de 15 a 29 anos que não estudavam e nem trabalhavam, 619 mil a mais do que em 2016.De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE, esse contingente representava 23% da população dessa faixa etária em 2017. Essa proporção era menor no ano anterior, de 21,8%.

Segundo a técnica do IBGE responsável pela pesquisa,Marina Aguas,o aumento do número de jovens que não trabalham e nem estudam no ano reflete a queda da oferta de empregos e evasão escolar."Provavelmente isso tem influência do momento econômico. Essas pessoas podem ter perdido o emprego e não conseguiram voltar ao mercado. Também podem ter deixado de estudar por algum fator, como renda", disse a técnica do IBGE.

A evasão escolar fica clara por outro indicador da pesquisa, a taxa de escolaridade. De acordo com os dados, 31,7% das pessoas de 18 a 24 anos frequentavam a escola em 2017, abaixo dos 32,8% de 2016. O movimento corresponde a uma redução de 7,3 milhões para 7,2 milhões no número de estudantes nessa faixa etária.

Uma abertura regional das estatísticas mostra que o contingente de jovens "nem-nem" piorou no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A maior parte deles está concentrada, porém, nas regiões Sudeste (4,1 milhões) e Nordeste (4,09 milhões). No Nordeste, um em cada três jovens é "nem-nem".

De acordo com a pesquisa, 28% das mulheres de 15 a 29 anos não estudam e nem trabalham, proporção superior à dos homens nessa faixa etária (17,4%). Essa diferença pode estar associada ao maior tempo dedicado pelas mulheres aos afazeres domésticos e ao cuidado de filhos.

Creches

O IBGE apontou também que quase 200 mil crianças de quatro a cinco anos de idade não frequentam escola ou creche no país por falta de oferta de vaga ou inexistência de uma unidade escolar perto da residência. Segundo a pesquisa,441 mil crianças de quatro a cinco anos não frequentavam a escola no ano passado, algo como 8,3% dessa faixa etária.Desse contingente, 24,6% não estudava por falta de vaga na escola ou creche. Outros 19,8% não frequentavam a escola sob alegação de que não existia unidade na localidade ou ficava longe demais.

A maior parte (41,4%) não frequentava a escola porque os pais ou responsáveis não queriam, embora o ensino seja obrigatório para crianças que completem quatro anos até o dia 31 de março do ano vigente. Uma parcela de 14,2% alegou outras razões. Foi a primeira vez que o IBGE divulgou esses indicadores, que não mostraram "variação estatisticamente significativa entre 2016 e 2017".

Com 91,7% das crianças de quatro a cinco anos na pré-escola, a universalização da educação infantil, estabelecida pela Plano Nacional de Educação (PNE), não foi alcançada. Isso também vale para as grandes regiões do país. O Nordeste e o Sudeste apresentaram taxas acima da média nacional, 94,8% e 93%, enquanto que o Norte tinha 15% das crianças desse grupo etário fora da escola.