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Confiança do comércio registra em maio a queda mais forte em três anos

24/05/2018 14h43

Com o mercado de trabalho ainda em baixa, a confiança do comércio em maio mostrou a mais intensa queda em três anos, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).

O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 4,1 pontos entre abril e maio para 92,6 pontos. Foi a retração mais forte desde março de 2015 (-4,7 pontos), informou Rodolpho Tobler, coordenador da Sondagem do Comércio, pesquisa do qual o Icom é indicador-síntese.

Para o especialista, os próximos resultados do índice devem apresentar volatilidade, com aspectos positivos e negativos a influenciar o humor do comerciante.

Pelo lado negativo, além de ausência de sinais de retomada mais forte no emprego, o varejista tem que lidar com aumento de incertezas devido ao acirramento das turbulências políticas com eleição presidencial; e possível impacto da atual greve dos caminhoneiros, que provocou crise de desabastecimento em diversos produtos no país.

Mas, ao mesmo tempo, o cenário de inflação em baixa, e juros mais baixos ante os praticados no passado, pode inibir recuos mais fortes na confiança do varejista.

Tobler explicou que, nos primeiros meses do ano, a confiança do comércio mostrou sinais positivos, devido principalmente a bons resultados em vendas em duráveis. Na prática, com a proximidade da Copa do Mundo, a perspectiva de aumento na compra de televisores - que sempre ocorre em anos de Copa-ajudou a melhorar o humor do varejista, observou Tobler.

"Mas isto era um fator pontual", notou ele. Agora, o empresário de duráveis não apresenta mais confiança em alta; e isto acabou por afetar a avaliação do comerciante como um todo sobre o momento presente, afirmou.

De abril para maio, o Índice de Situação Atual (ISA), um dos dois sub-indicadores usados para cálculo do indicador, caiu 4,7 pontos, para 89,4 pontos, o menor nível desde janeiro do ano passado (88 pontos) - sendo que, em abril, o ISA subia a 0,6 ponto. Já o Índice de Expectativas caiu 3,2 pontos para 96,2 pontos, menor patamar desde setembro de 2017 (95,6 pontos). No mês passado, o IE caia mas a ritmo menor, em 0,8 ponto.

Para o técnico, o ambiente será de cautela na confiança do comércio, nos próximos meses. Ele comentou que, caso ocorra uma retomada mais robusta no mercado de trabalho, o Icom poderia apresentar recuperação mais rápida. No entanto, o mais provável é que o índice permaneça oscilando, caso não ocorra reação mais expressiva no emprego e o cenário se mantenha com as mesmas condições de hoje, com acirramento de corrida presidencial e crises como a de combustíveis.

"O cenário hoje é de retomada gradual na confiança, mas com volatilidade", resumiu.