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Dólar volta a registrar forte alta em meio a crise com caminhoneiros

O dólar fechou em forte alta ante o real, a maior do ano. E, apenas nesta segunda-feira, devolveu quase toda a queda da semana passada inteira. Essa reação de preço dá uma boa ideia do grau de nervosismo dos agentes financeiros que, pela primeira vez em algum tempo, se desfizeram em conjunto de posições tanto em câmbio quando na renda fixa e na bolsa.

A sensação no mercado é que o governo sai do episódio da paralisação dos caminhoneiros com ainda menos espaço para debater e articular qualquer medida no sentido de corrigir as contas públicas. Pior: o Executivo precisou fazer concessões na casa dos bilhões de reais para os caminhoneiros, ação que vai totalmente de encontro à necessidade de ajuste das contas públicas. Ainda que a reforma da Previdência seja esperada apenas para o ano que vem, a impressão é que o momento em que ela será trazida de volta ao debate está cada vez mais distante.

"A falta de disposição de várias esferas da sociedade neste evento, assim como no debate da reforma da Previdência no ano passado, mostra que será extremamente complicado para que o próximo governo, o próximo presidente e o próximo Congresso Nacional consigam avançar nas reformas econômicas, imperativas para o bom funcionamento econômico do país em um cenário externo mais desafiador", diz em nota um gestor de fundos multimercados.

Na mesma linha, Italo Lombardi, estrategista sênior para mercados emergentes do Crédit Agricole em Nova York, diz que não é apenas o governo Temer que sai enfraquecido do episódio da paralisação dos caminhoneiros, mas toda a agenda econômica elogiada pelo mercado financeiro. Segundo ele, o aparente apoio popular à greve, que começou como uma demanda por redução dos preços do diesel, deteriora mais o sentimento, porque endossa a falta de perspectiva de que candidaturas tidas como centristas - em tese favoráveis a uma política econômica mais liberal - reajam.

"É uma agenda econômica que claramente a população está rechaçando. [...] Não consigo ver nos partidos um vencedor claro. Mas consigo ver perdedores claros: o governo e sua agenda econômica."

No fechamento, o dólar comercial subiu 1,72%, a R$ 3,7281. É a maior valorização diária desde 7 de dezembro do ano passado (1,74%).

Em toda a semana passada, a cotação havia cedido 2,03%.

O real, de longe, foi a moeda de pior desempenho no dia, entre as principais divisas. Enquanto a divisa brasileira perde 1,69%, a coroa sueca, segunda maior queda, tinha baixa de 0,64%.

A piora da percepção de risco foi tão forte que sequer os leilões de vendas de swaps cambiais pelo Banco Central - que ao longo da semana passada conseguiram aliviar o câmbio - impediram o dólar de retomar o nível de R$ 3,70. Com a venda dos 15 mil contratos de swap ocorrida nesta manhã, o BC aumentou para US$ 5,75 bilhões o volume de dinheiro "novo" já colocado no mercado neste mês. A expectativa é que a operação de amanhã eleve o total de maio para US$ 6,5 bilhões.

Amanhã será realizado o último leilão de rolagem dos contratos de swap cambial a vencer em 1º de junho. E o BC deve concluir na terça a rolagem de todos os US$ 5,65 bilhões que deixariam o mercado no começo do mês que mês. Com os mercados nervosos, porém, espera-se que o BC já sinalize na semana que vem o início das rolagens dos contratos que expiram em julho, que somam US$ 8,562 bilhões.

Hoje, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reiterou que a autoridade monetária tem feito uso dos swaps cambiais para reduzir a volatilidade do mercado e que a valorização do dólar é "normal" dada a normalização da taxa de juros nos EUA.

"Mantido o padrão recente, se o real continuar com desempenho pior pode ser que o BC volte a elevar as ofertas [líquidas] de swap. Mas ainda não acho que é o caso. O volume de 15 mil contratos já é considerável", diz Roberto Campos, gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos.

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