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Dólar cai, mas se afasta de mínimas com mercado na defensiva

O ambiente externo mais calmo e a valorização de divisas emergentes deu suporte ao real neste começo de semana, abrindo espaço para uma queda do dólar. No fim do dia, a moeda americana cedeu 0,58% e fechou a R$ 3,7434. Ao longo do dia, oscilou entre R$ 3,7543 (-0,29%) e R$ 3,7259 (-1,04%).Na sexta-feira (1º de junho), a cotação havia encerrado em R$ 3,7652, máxima de fechamento em 27 meses.

A julgar pelos movimentos recentes, porém, o de hoje indica mais uma trégua do que tendência mais consistente de melhora. E isso chama ainda mais atenção considerando a alta de 12,97% do dólar ocorrida apenas neste ano, que levou a moeda para perto de R$ 3,80. Em janeiro, o câmbio chegou a ser negociado na casa de R$ 3,12.

"Ultimamente, dólar abaixo de R$ 3,70 é ponto de compra. Isso dá ideia de quão cético o mercado anda", diz Paulo Petrassi, sócio-gestor da Leme Investimentos. Petrassi diz estar "neutro" em dólar, mas admite que os riscos são de alta da moeda. "A gente pode ver o dólar indo a R$ 4 no processo eleitoral", afirma o profissional, considerando um contexto em que o pré-candidato a presidente da República Geraldo Alckmin (PSDB) não decole nas pesquisas de intenção de voto.

Em outro sinal de que a pressão de alta segue presente, o dólar já devolveu toda a queda registrada após o Banco Central reforçar em maio as intervenções no mercado cambial. Desde então, o BC já colocou US$ 8,75 bilhões em dinheiro "novo" no mercado. E sinalizou que manterá US$ 8,762 bilhões que poderiam deixar o mercado até julho, depois de já ter preservado US$ 5,650 bilhões que sairiam do mercado neste começo de julho.

O cenário externo não tem ajudado, mas analistas admitiram ao longo de maio que a deterioração das condições locais - na esteira da paralisação da greve dos caminhoneiros - passou a pesar mais nos preços dos ativos. E, com o elevado grau de incerteza e os cenários binários, posições mais neutras e defensivas se tornaram mais bem-vistas.

"Na atual conjuntura do ciclo eleitoral do Brasil, não vemos nenhuma plataforma, de nenhum dos candidatos competitivos, realmente capaz de alterar a situação do país", diz a Icatu em nota. A gestora afirma ainda que "a maior parte" dos candidatos tidos como competitivos não mostra "real" intenção, posicionamento "firme" e, principalmente, convicção na necessidade das reformas.

Por isso, a Icatu segue sem recomendações estruturais para o mercado cambial. E cita o "menor carrego" da divisa brasileira, o cenário externo "mais desafiador" e o quadro eleitoral "ainda indefinido" como fatores que manterão o câmbio com "elevada volatilidade" e em "patamares mais depreciados por mais tempo".

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