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Ibovespa sobe com ajuda de Petrobras e dólar opera na casa de R$ 3,74

04/06/2018 13h48

O Ibovespa tem um dia amplamente positivo e recupera o nível dos 78 mil pontos, impulsionado pelas ações da Petrobras, que avançam mais de 6% e compensam parte das perdas registradas na sexta-feira passada. Os bancos e de algumas varejistas também cooperam para os ganhos do índice, assim como CSN, que disparava 12%.

Pouco depois das 13h30, o Ibovespa operava em alta de 1,20%, aos 78.168 pontos, após máxima aos 78.603 pontos (+1,76%). O índice dá sinais de que terá um dia menos movimentado hoje: até o momento, o volume de negociações soma R$ 4,2 bilhões, o que implica pouco mais de R$ 9 bilhões ao fim do pregão.

Petrobras PN (+6,99%) e Petrobras ON (+6,30%) aparecem entre as maiores altas do dia e seguem concentrando um volume elevado de negociações. Os papéis preferenciais têm giro de R$ 987 milhões, enquanto os ordinários somam R$ 260 milhões. Os papéis recuperam-se parcialmente da forte queda de sexta-feira, quando recuaram mais de 14% após o pedido de demissão de Pedro Parente.

Para Christian Laubenheimer, gestor da Platinum Investimentos, as dúvidas a respeito da política de preços da Petrobras e do nível de interferência do governo nas atividades da estatal continuam no horizonte, mas a nomeação de Ivan Monteiro agradou o mercado. Ex-diretor financeiro e de relações com investidores, o executivo é visto como alguém que dará continuidade à linha de trabalho adotada por Parente.

Além da Petrobras, destaque para o setor bancário, que possui grande peso na composição do Ibovespa e sobe em bloco nesta segunda-feira, puxado por Itaú Unibanco PN (+1,78%) e Banco do Brasil ON (+1,44%) ? Bradesco PN (+0,79%) e units do Santander Brasil (+0,17%) também apareciam no campo positivo.

Ainda chama a atenção o desempenho de CSN ON (+12,6%), a maior alta do Ibovespa. Mais cedo, o Credit Suisse elevou a recomendação para as ações, passando de neutro para compra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 12 para R$ 11. No setor de siderurgia, Gerdau PN avançava 1,62% e Usiminas PNA aumentava 1,13%.

Por fim, o setor de varejo opera no azul, com destaque para Magazine Luiza ON (+7%), B2W ON (+5,11%) e units da Via Varejo (+3,45%). No campo negativo, TIM ON (-2,44%), Kroton ON (-1,86%), Estácio ON (-1,52%) e Vale ON (-0,78%) aparecem entre as principais quedas.

Câmbio

O dólar recua ante o real nesta segunda-feira, mas segue bem acima de R$ 3,70, orbitando os maiores níveis em 27 meses. Às 13h40, a moeda cedia 0,55%, a R$ 3,7445.

O dia é positivo nos mercados globais de moedas, com valorização firme de divisas de risco e de perfil semelhante ao real, como lira turca e rand sul-africano. Mesmo com o dólar nas máximas em mais de dois anos, o câmbio doméstico não consegue capturar a melhora externa na mesma magnitude que seus pares.

A explicação de analistas é que recentemente aumentou o conjunto de más notícias para o governo, o que acaba respingando na perspectiva para as eleições presidenciais e, por tabela, na probabilidade de reformas fiscais e econômicas. A isso se somam os maiores incentivos às posições vendidas em reais (apostando na desvalorização da moeda, seja de forma direcional, seja para "hedge"), dada a queda dos diferenciais de juros entre o Brasil e o mundo a mínimas.

Mas alguns analistas defendem que o patamar do dólar está excessivamente alto, especialmente considerando números da conta corrente brasileira e das reservas internacionais, por exemplo.

"O enfraquecimento do governo com esse episódio da greve dos caminhoneiros pesou muito sobre o humor do mercado", diz Marcos Trabbold, gerente de câmbio da B&T Corretora. Mesmo assim, ele acredita que o nível "justo" para o dólar está abaixo dos R$ 3,70. "As atuações do BC e o efeito cumulativo devem trazer a moeda para um patamar mais condizente". Embora não arrisque dizer que patamar é esse, ele lembra as projeções contidas na Focus, que mostram estimativa de R$ 3,50 ao fim de 2018.

Nesta segunda-feira, o BC vendeu todos 8,8 mil contratos de swap cambial ofertados em rolagem do vencimento julho. E também colocou mais US$ 750 milhões em dinheiro "novo" no mercado.

Juros

O grau de incertezas com o quadro político volta a ditar o tom dos principais indicadores de risco no mercado. Os juros futuros de longo prazo retomam a trajetória de alta nesta segunda-feira, a despeito do alívio no exterior, enquanto o custo do Credit Default Swap (CDS - uma espécie de seguro contra calote) do Brasil já alcança os maiores níveis em quase um ano.

O que fica evidente, a partir desse quadro, é que a safra de boas notícias parece ter se esgotado para o mercado, pelo menos no curto prazo. E a crise dos combustíveis, que custou a troca de comando na Petrobras, só veio para acentuar o desânimo com a perspectiva política.

Nesse ambiente mais duro, os agentes veem pouco incentivo para novas aplicações, seja nos DIs ou nos títulos públicos. Nesta segunda-feira, a taxa do contrato para janeiro de 2025 subia a 11,370% (11,300% no ajuste anterior), revertendo a baixa do começo do dia, quando marcou11,220%.

Hoje, o Tesouro Nacional voltou a fazer leilão extraordinário de compra de até 1,5 milhão de NTN-F e, pela segunda sessão consecutiva, nenhuma proposta foi aceita. De acordo com operadores, esse é um sinal de que o mercado começa a andar com as próprias pernas em busca de níveis de equilíbrio. Mas isso não significa que a melhora esteja no radar.

Num sinal da piora da percepção de risco, o custo do CDS do Brasil tem aumentado num ritmo mais acentuado do que alguns emergentes importantes. A taxa do contrato de cinco anos do país encontra-se atualmente em 239 pontos-base, maior nível desde 7 de julho de 2017 (242 pontos). Com solavancos recentes, o indicador tem se distanciado dos pares. Hoje, o custo do CDS do México gira em 138 pontos-base, enquanto o da Colômbia marca 124 pontos e da Rússia, 135 pontos.

A diferença do custo do CDS do Brasil e do México já está em 101 pontos, o que mostra uma piora mais acentuada no país. O spread é o mais elevado desde 10 de agosto de 2017 (102 pontos-base). Essa distância fica até um pouco mais clara na comparação com a Colômbia, já que o spread é de 115 pontos-base, sendo a maior diferença desde 25 de maio do ano passado, quando estava em 116 pontos-base.

Por volta das 13h40, DI janeiro/2019 operava a 6,725% (6,745% no ajuste anterior); oDI janeiro/2020 marcava 7,640% (7,670% no ajuste anterior) e oDI janeiro/2021 subia a 8,790% (8,810% no ajuste anterior).

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