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Dólar fecha terça-feira com maior cotação desde março de 2016

(Atualizada às 18h11)O Banco Central fez nesta terça-feira maior venda de dólares em mais de um ano, mas não conseguiu reduzir o avanço do dólar. Pelo contrário: a moeda americana não só voltou às máximas como renovou os patamares mais altos em mais de dois anos. No pior momento do dia, o dólar foi a R$ 3,8152, pico desde março de 2016.

No fechamento do mercado nesta terça-feira, a divisa saía por R$ 3,8097, uma alta de 1,77%. É o maior patamar para um encerramento desde 2 de março de 2016 (R$ 3,88855).

Nas operações de hoje, que são ofertas de contratos de swap cambial, o BC injetou US$ 1,866 bilhão no mercado. Foi a maior venda líquida de dólares em apenas um pregão desde 23 de maio do ano passado, quando o BC colocou US$ 2 bilhões em um momento em que o mercado se ajustava aos efeitos das delações de executivos da JBS, que afetaram o governo de Michel Temer.

A autoridade monetária começou o dia com a atuação rotineira, de rolar os contratos que vão vencer e fazer a oferta diária de US$ 750 milhões em contratos de swap. Quando anunciou que faria essas ofertas diárias, o BC informou que também poderia realizar atuações "discricionárias" no mercado de câmbio, e foi o que fez hoje, diante da resistência da alta do dólar: ofereceu mais US$ 1,5 bilhão em novos contratos, dos quais vendeu US$ 1,116 bilhão, em dois leilões.

Mas esses quase US$ 1,9 bilhão injetados via swaps apenas hoje ficaram praticamente de lado diante do conjunto de incertezas que circulam no mercado diante do cenário eleitoral, além do ambiente de negócios bastante contaminado e deprimido, especialmente após a saída de Pedro Parente da presidência da Petrobras, na esteira das concessões do governo aos caminhoneiros paralisados nos últimos dias.

Além disso, a atuação do BC no câmbio desperta intenso burburinho entre os agentes. Analistas já vinham defendendo atuações discricionárias como forma de a instituição enviar um sinal mais forte ao mercado. Para alguns, a necessidade de o BC realmente realizar essas operações, como fez hoje, indica que o mercado cambial entrou numa nova dinâmica, em que a autarquia precisará agir com mais força para segurar as cotações. Outros criticam o "modus operandi" do BC, argumentando que as rações diárias começaram a ser oferecidas num momento em que o indutor da alta do dólar era externo e, assim, a autoridade monetária estaria gastando munição precipitadamente.

Arnaldo Curvello, sócio-diretor da Ativa Wealth Management, acredita que, se o BC emitir sinal claro de que não deixará o mercado de câmbio entrar em modo disfuncional, conseguirá controlar a depreciação do real, que é o caminho neste momento, especialmente diante da força do dólar no exterior.

Mas, mesmo atuando forte, a volatilidade se imporá. Para ele, a "agitação" de hoje tende mais a ser o padrão até a eleição do que o contrário, já que até outubro haverá "muito barulho". "Com o dólar forte lá forte e aqui a nossa total falta de visibilidade sobre a eleição, o vendedor não arrisca entrar no mercado. E isso vai exigir a presença do BC", diz o executivo.

Em junho, o dólar já se valoriza 1,98% ante o real, ampliando os ganhos no ano para 14,98%. O real tem a segunda maior queda global no mês e a terceira maior no ano.

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