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Ibovespa opera em queda com pressão sobre emergentes; dólar sobe

O aumento da percepção de risco contra emergentes leva a bolsa a se firmar em campo negativo nesta tarde. A alta dos juros longos e do dólar acaba forçando um ajuste para o Ibovespa por sinalizar que investidores estão buscando reduzir exposição na renda variável e nas moedas de mercados considerados mais arriscados.

Às 14h06, o Ibovespa cedia 1,07%, aos 77.766 pontos, depois de cair à mínima de 77.407 (-1,51%). O giro financeiro é de R$ 4,13 bilhões.

Entre os destaques, as ações das "blue chips" da bolsa seguem em ritmo negativo. A Petrobras ON cai 1,65%, enquanto a PN cede 1,31%; Itaú Unibanco PN opera em queda de 1,90%, enquanto Banco do Brasil ON cai 2,60%. A ação ON do Bradesco desvaloriza 2,52%, enquanto a PN recua 2,78%.

A baixa do mercado só não é mais forte por causa da Vale ON (+1,83%), ativo de maior participação no Ibovespa. Junto com a Suzano ON (+1,30%), é um papel que integra estratégias defensivas, pela perspectiva positiva com a alta do dólar: exportadoras tendem a entregar ganho de receita quando a moeda americana avança.

Na pior baixa do dia, a Eletrobras PNB (-7,14%) e a Eletrobras ON (-6,15%) seguem na liderança, depois que um tribunal do Rio de Janeiro determinou a interrupção no processo de privatização da estatal e de seis distribuidoras. A venda das subsidiárias é vista como o último grande catalisador para a ação, já que a desestatização da elétrica neste ano é improvável.

Em relatório, o Itaú BBA afirma que os analistas vêm elevando suas expectativas para os ganhos das ações do Ibovespa em 2018 e 2019. Isso é explicado, em especial, pelos múltiplos: os aumentos sequenciais nas expectativas de lucro das empresas e a queda dos preços das ações levaram a relação entre preço e lucro (P/L) do Ibovespa abaixo da média dos últimos 10 anos pela primeira vez desde julho de 2017.

Ao cair dessa forma, o P/L pode sinalizar que o Ibovespa ainda tem espaço para uma recuperação. Mesmo assim, o indicador de difusão do banco, que analisa a situação das ações, entrou em território "exageradamente vendido", segundo o relatório.

Dólar

A terça-feira já é a mais agitada no mercado de câmbio desde a crise das delações da JBS, de maio do ano passado. Catapultado pelo ambiente externo arisco para moedas emergentes, o dólar disparou acima de R$ 3,80 pela primeira vez em mais de dois anos. A repentina esticada ocorreu a despeito de o Banco Central já ter começado o dia vendendo dólares ao mercado. Com isso, a autoridade monetária precisou intensificar a intervenção e cumprir promessa de atuar de forma discricionária.

O BC anunciou leilão de até US$ 1,5 bilhão em novos contratos de swap cambial, dos quais vendeu US$ 811 milhões. Já em seguida, anunciou uma segunda operação, ofertando os US$ 690 milhões não vendidos na primeira operação, dos quais colocou US$ 306 milhões.

Somando o lote colocado antes das 10h (US$ 750 milhões) com os US$ 1,116 bilhão colocados nos dois leilões discricionários ocorridos posteriormente, o BC injetou, apenas hoje, US$ 1,866 bilhão. É a maior venda líquida de dólares em apenas um pregão desde 23 de maio do ano passado, quando o BC colocou US$ 2 bilhões.

Em comunicado divulgado no mês passado, quando retomou as vendas líquidas de swaps cambiais, o Banco Central já havia afirmado que poderia realizar atuações "discricionárias" no mercado de câmbio, além das ofertas líquidas de swap cambial sinalizadas para as manhãs e dos leilões de rolagem de contratos prestes a vencer. E, para analistas, a necessidade de o BC cumprir essa promessa indica que o mercado cambial entrou numa nova dinâmica, em que a autarquia precisará agir com mais força para segurar as cotações.

"Num extremo, o BC deveria anunciar logo venda de 100 mil contratos [de swap]. Teria logo que ir na jugular", diz Jaime Ferreira, diretor de câmbio da Intercam. Um lote de 100 mil contratos de swap cambial equivale a uma oferta de dólar de US$ 5 bilhões. "Não adianta. O BC terá de vender mais dólares. Vai ter de gastar munição. Essa é a nova realidade", diz Ferreira.

Arnaldo Curvello, sócio-diretor da Ativa Wealth Management, acredita que, se o BC emitir sinal claro de que não deixará o mercado de câmbio entrar em modo disfuncional, conseguirá controlar a depreciação do real, que é o caminho neste momento, especialmente diante da força do dólar no exterior.

Mas, mesmo atuando forte, a volatilidade se imporá. Para ele, a "agitação" de hoje tende mais a ser o padrão até a eleição do que o contrário, já que até outubro haverá "muito barulho". "Com o dólar forte lá forte e aqui a nossa total falta de visibilidade sobre a eleição, o vendedor não arrisca entrar no mercado. E isso vai exigir a presença do BC", diz o executivo.

Às 14h05, o dólar comercial subia 0,88%, a R$ 3,7762. Na máxima, saltou 1,68%, a R$ 3,8062, maior patamar intradia desde 16 de março de 2016 (R$ 3,8523).

Apesar do esforço das atuações do BC, o real ainda amarga o terceiro pior desempenho nesta terça-feira. De 33 pares do dólar, apenas peso mexicano (-1,5%) e rand sul-africano (-1,4%) têm performance ainda mais fraca.

Em junho, o dólar já se valoriza 0,89% ante o real, ampliando os ganhos no ano para 13,74%. O real também é a terceira pior moeda tanto no mês quanto no ano.

Juros

A disparada dos juros longos nesta terça-feira intensifica o debate sobre a intervenção do Tesouro Nacional na renda fixa. A instituição concluiu hoje sua programação de recompra de títulos público prefixados, as chamadas NTN-Fs, num processo que durou seis sessões consecutivas. No entanto, o alívio não veio às taxas futuras, negociadas na B3.

ODI janeiro/2019 marca 6,800% (6,710% no ajuste anterior);DI janeiro/2020 registra 7,760% (7,620% no ajuste anterior);DI janeiro/2021 marca 8,890% (8,760% no ajuste anterior);Di janeiro/2023 sobe a 10,770% (10,570% no ajuste anterior);DI janeiro/2025 avança a 11,590% (11,350% no ajuste anterior).

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