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Candidatos não disputam eleição, mas salvo-conduto, diz Marina

(Atualizada às 12h08) A pré-candidata do Rede à Presidência, Marina Silva, afirmou nesta quarta-feira (6), em sabatina do jornal "Correio Braziliense", que enfrentou uma guerra na eleição de 2014 contra aqueles que estavam disputando não a Presidência da República, mas "a manutenção de uma estrutura criminosa" na Petrobras, no Banco do Brasil e no governo.

Em 2010, afirmou, a relação entre os adversários era mais "civilizada", ela cumprimentava e conversava com José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e "até o Plínio" de Arruda Sampaio (Psol) antes dos debates.

Em 2014, quando quase chegou ao segundo turno, "foi uma guerra". "Depois vim a entender. Eu estava disputando a Presidência da República. Mas existiam aqueles que estavam disputando estruturas criminosas", disse.

Este ano, "tem muitos que não estão disputando eleição, estão disputando salvo-conduto",afirmou Marina,sem mencionar diretamente nenhum candidato.

"Fake news"

A pré-candidata do Rede destacou que seu partido assinou um compromisso no TSE de não usar "o expediente malévolo das fake news" e disse que, antes da eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ela foi alvo das notícias falsas na campanha de 2014.

"Quem inaugurou as fake news foi a Dilma e o João Santana, que criaram esse mecanismo abominável", disse.

Marina afirmou que fará agora uma campanha ainda mais "franciscana", com pouco tempo de propaganda na TV e recursos públicos, e citou que tem acordado às 4h da manhã para pegar voos mais baratos.

"E mesmo sem essas estruturas faraônicas, até consigo pontuar em segundo lugar", disse, fazendo a ressalva de que as pesquisas são voláteis.

Congresso

Para Marina, é muito difícil governar com o Congresso Nacional atual. Por isso, defende mudar a forma de relacionamento com o Legislativo. "Temos que sair da privatização do Estado para os partidos, o presidencialismo de coalizão, para o presidencialismo de proposição", disse.

Ela acredita em uma negociação na base do diálogo, "sem toma lá dá cá". Segundo ela, com essa política, conseguiu aprovar projetos quando ministra do Meio Ambiente - mesmo quando seu próprio partido na época, o PT, estava reticente, como a lei de gestão de florestas públicas, a lei da mata atlântica e a concessão de florestas públicas.

Marina deu como exemplo a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que ficou cinco meses negociando com o Congresso a formação de uma nova coalizão para governar. "É muito difícil governar hoje? Com certeza. A prova disso é que mesmo partidos com grande quantidade de deputados, com bancadas enormes, não conseguiram. A Dilma não conseguiu governar, o Temer não consegue governar", disse.

Previdência

A pré-candidata do Rede afirmou que o próximo governo terá de fazer uma reforma da Previdência, mas evitou comentar qual projeto defenderia. "Nenhuma candidatura está apresentando projeto detalhado de reforma da Previdência", disse.

Marina citou apenas "diretrizes gerais": debater com todos os setores da sociedade e que a reforma seja capaz de enfrentar o envelhecimento da população e a perda do bônus demográfico.

Ela não falou o que pensa sobre idade mínima, o regime de previdência dos servidores públicos ou as regras das pensões - apenas criticou os termos do projeto do governo Temer. "O próximo governo tem que saber que a reforma da Previdência tem que ser feita, as diretrizes gerais estão dadas aqui", afirmou.

A pré-candidata reforçou que não aumentará impostos caso eleita, mas que também não tem condições de reduzi-los dado o quadro fiscal do governo. "Na situação em que vivemos, dizer que vai reduzir a carga tributária ou é demagogia para um setor ou irresponsabilidade com a sociedade", disse.

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