ipca
-0,21 Nov.2018
selic
6,5 31.Out.2018
Topo

Ibovespa ensaia recuperação, mas volta a fechar no vermelho

06/06/2018 17h57

O Ibovespa até ameaçou mais uma vez uma recuperação, mas a permanência da cautela no ambiente doméstico colocou o índice mais uma vez no vermelho. As perdas só não foram mais fortes porque ações de empresas exportadoras ? como a Vale ? seguraram o índice.

O Ibovespa encerrou em baixa de 0,68%, aos 76.117 pontos, depois de recuar à mínima nos 75.518 pontos (-1,47%). No começo do dia, a bolsa chegou a subir 0,42%. O giro financeiro das ações do índice foi de R$ 10,8 bilhões.

Entre as maiores quedas, papéis do setor de varejo refletiram com mais intensidade o crescente sentimento de risco do investidor com o ambiente doméstico. Em um momento de hiato do governo, enfraquecido pela greve dos caminhoneiros, e crescimento lento da atividade, o receio quanto a uma alta do juro básico na economia força um ajuste nessas posições.

Isso acontece sobretudo pela alta do dólar. A desvalorização cambial trouxe à tona o medo de uma ação do Banco Central (BC) nos juros no Brasil. Uma elevação da Selic causaria, de cara, uma pressão sobre os custos das companhias ligadas ao ciclo doméstico. Em um ambiente de riscos internos grandes, mesmo que o BC não venha a atuar dessa forma, trata-se da combinação necessária para justificar a saída desses ativos.

Isso explica o movimento de forte baixa em especial das companhias do chamado consumo discricionário, isto é, empresas ligadas ao consumo de itens que não são de primeira necessidade. É o caso de Smiles (-9,32%), B2W (-6,95%), Lojas Americanas (-5,94%), Magazine Luiza (-5,53%), Via Varejo (-5,42%), Gol (-5,40%) e CVC (-5,10%). No caso das aéreas, o câmbio também representa uma pressão adicional porque os custos dessas companhias são dolarizados, enquanto as receitas são em reais ? a pior combinação em um cenário de fortalecimento da moeda americana.

Na outra ponta, a desvalorização cambial representa forte catalisador para exportadoras, que tendem a se beneficiar em termos de ganho de receita. São ativos, portanto, que combinam com a estratégia defensiva que diversos gestores vêm adotando. Com isso, a ação com maior participação no Ibovespa, a Vale, subiu 4,36%; Suzano (+7,58%), Embraer (+5,22%), WEG (+3,66%) e Fibria (+2,59%) também lideraram as altas do índice.

Entre as blue chips, Petrobras ON (-0,57%) e Petrobras PN (-1,57%), além dos bancos, também foram responsáveis por frear a recuperação do Ibovespa hoje. Relatório de análise gráfica do Itaú BBA de hoje desta que o índice já interrompeu o movimento de recuperação e agora, se perder o primeiro suporte em 75.200 pontos, poderá ceder até o piso em 70.800 pontos.

Mais Economia