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Real tem pior desempenho no mundo apesar do BC; Ibovespa cai

06/06/2018 13h42

Um dia após superar a marca de R$ 3,80 pela primeira vez em mais de dois anos, o dólar segue em alta frente ao real e, pela manhã, chegou a se aproximar de R$ 3,85. Por volta de 13h40, a cotação subia 0,16%, a R$ 3,8158. Mas a variação modesta contrasta com um dia de firma queda do dólar em todo o mundo. Com isso, mesmo com desvalorização pequena, o real ainda tem o pior desempenho global nesta quarta-feira.

A prevalência das compras de dólares ocorre a despeito de o Banco Central ter voltado a injetar recursos no mercado. Mais cedo, colocou US$ 750 milhões em dinheiro "novo", via ofertas de swaps cambiais. E posteriormente promoveu a rolagem integral de 8.800 contratos de swap que deixariam o mercado no começo de julho.

Ontem, o BC vendeu um total de quase US$ 2 bilhões no mercado, a maior intervenção desde os dias seguintes às delações de executivos da JBS, há quase 13 meses. Ainda assim, o dólar fechou acima de R$ 3,80, em meio a críticas de parte do mercado ao "timing" da atuação do BC.

"Está claro que os mercados estão sentindo a piora doméstica. É um misto de falta de visibilidade eleitoral e sensação de governo à deriva", diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

O que os números deixam claro é que a demanda por moeda tem se concentrado no mercado de derivativos. Hoje, dados do BC mostraram inclusive que maio fechou com superávit cambial, revertendo déficit verificado até a semana anterior.

Uma forte entrada de US$ 2,2 bilhões na conta financeira no último dia 28 permitiu que o fluxo cambial revertesse o déficit exibido até então e fechasse o mês de maio positivo. Ao fim, o saldo ficou superavitário em US$ 1,753 bilhão, o segundo mês seguido no azul.

Os dados incluem ainda os números do primeiro dia de junho. Nessa sexta-feira, o fluxo cambial foi positivo em US$ 1,264 bilhão, sustentado pela conta financeira (+US$ 961 milhões). A conta comercial teve superávit menor, de US$ 303 milhões.

Bolsa

Em mais uma sessão de volatilidade elevada, o Ibovespa não conseguiu sustentar a alta verificada na primeira hora de pregão e se firmou no campo negativo, retornando ao nível dos 75 mil pontos. Petrobras e bancos seguem em queda, enquanto as varejistas caem forte em meio à disparada das curvas de juros. Nesse contexto de cautela, apenas a Vale e as exportadoras conseguem se manter no campo positivo.

Por volta de 13h35, o Ibovespa recuava 1,01%, aos 75.866 pontos, após atingir a mínima aos 75.528 pontos (-1,45%) e a máxima aos 76.967 pontos (+0,42%). O giro financeiro do índice soma R$ 4,76 bilhões até o momento, o que implica num volume de mais de R$ 11 bilhões em negociações ao fim do pregão.

"O que está acontecendo é uma reprecificação dos ativos", diz Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial Research, ressaltando a forte abertura nas curvas de juros e o movimento de valorização do dólar, que já atinge a faixa de R$ 3,82.

Para ele, a percepção de juro mais caro remete automaticamente à ideia de custo crescente de crédito, o que impacta diretamente o desempenho das varejistas e empresas ligadas ao consumo interno, caso de CVC ON (-6,35%) e Smiles (-6,23%), maiores quedas do Ibovespa. Além delas, destaque para GPA ON (-3,85%), B2W ON (-4%), Lojas Americanas PN (-4,71%) e units da Via Varejo (-4%).

"O único mercado que ainda não precificava as expectativas econômicas piores e as incertezas políticas era a bolsa", diz Figueredo. "Consumo, varejo e ativos ligados à atividade doméstica passam por uma remodelagem".

As blue chips do Ibovespa apresentam desempenho amplamente negativo. Petrobras PN (-2,41%) e Petrobras ON (-1,34%) seguem em queda, ainda sujeitas à desconfiança dos investidores quanto ao futuro da política de preços da estatal. Os bancos também caem em bloco: Itaú Unibanco PN (-2,33%), Bradesco PN (-1,95%), Banco do Brasil ON (-3,67%) e units do Santander Brasil (-2,37%) puxam o índice para baixo.

Para o analista da Eleven Financial Research, os bancos são afetados pela percepção de que os candidatos que lideram as pesquisas eleitorais pretendem fazer mudanças consideráveis no sistema financeiro, o que faz com que o mercado se antecipe a uma realidade potencialmente negativa ao segmento. "Os bancos acumularam gordura no ano passado e agora entregam [os ganhos] com essa piora de percepção".

O desempenho do Ibovespa só não é pior por causa da alta de 3,05% de Vale ON, ativo de maior peso na composição do Ibovespa. Os papéis da mineradora têm despontado nos últimos dias e conseguido se manter no campo positivo, aproveitando-se de um contexto de dólar forte e minério de ferro em alta no mundo. Bradespar PN (+3,31%) pega carona: a empresa é detentora de 6,3% do capital total da Vale.

Outras empresas mais expostas ao cenário externo aparecem entre as principais altas do Ibovespa, caso de Suzano ON (+4,74%), WEG ON (+2,99%) e Embraer ON (+2,27%) ? o dólar forte eleva a geração de receita de tais companhias. Por outro lado, Gol PN (-4,58%) sofre com a valorização da moeda americana, uma vez que uma parcela relevante de seus custos é dolarizada.

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