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Dólar dispara em meio a pessimismo com eleições e fecha a R$ 3,92

(Atualizada às 18h15) O Brasil parece o "alvo da vez" entre emergentes. Guardadas as devidas proporções, os mercados domésticos sofreram hoje com estresse que não só lembrou o sofrido recentemente pelos pares Turquia e Argentina como também trouxe de volta à memória os solavancos de 2002, também ano eleitoral e também período em que havia medo no mercado de uma guinada à heterodoxia.

A forte alta do dólar se deu a despeito da atuação do Banco Central, a maior desde 18 de maio do ano passado. O BC colocou, apenas hoje, US$ 2,75 bilhões. Mas a forte injeção de liquidez mais uma vez não impediu que o real figurasse entre as piores divisas no mundo. O BC informou que o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, comentará ainda hoje "sobre o funcionamento dos mercados e a atuação do Banco Central".

A taxa de câmbio, que já vem sentindo o baque e refletindo esse ambiente arisco, foi afetada hoje de forma ainda mais intensa que nas últimas semanas. Depois de ontem ter fechado a R$ 3,8371, o dólar volta a disparar hoje e, na máxima, bateu R$ 3,9674, a um passo de alcançar a marca psicológica dos R$ 4,00. No fechamento, desacelerou os ganhos a 2,25%, para R$ 3,9233. Ainda assim, o patamar mais alto desde 1º de março de 2016 (R$ 3,94375).

Fato é que a volatilidade voltou a abrir espaço para rumores. Em minutos, a cotação desacelerou os ganhos de mais de 3% para perto de 2,6%. Nas mesas, rumores sobre consulta informal do Banco Central para averiguar demanda por dólar à vista, operação que não ocorre desde 2009. Profissionais de tesourarias bancárias, contudo, negaram a consulta e atribuíram a amenização dos ganhos do dólar mais a fluxo.

O comentário nas mesas de operação é de que o estresse nos ativos domésticos decorre de uma combinação de fatores negativos. Além do exterior seguir arisco para emergentes, aqui há um misto de desânimo com as perspectivas para as eleições, falta de confiança na possibilidade de ajuste fiscal no ano que vem e ceticismo com o "modus operandi" do Banco Central e do Tesouro Nacional na tentativa de acalmar os ânimos do mercado.

No centro disso, um forte movimento de zeragem de posições. "Houve uma euforia no começo do ano. O mercado foi de certa forma leniente com os riscos. Todo mundo foi na mesma direção. E agora todo mundo quer sair ao mesmo tempo", diz o profissional de um banco em São Paulo. "Esse ajuste é normal, na medida do possível, e vai durar algum tempo", afirma.

A questão eleitoral, segundo analistas, segue no foco. "O risco ao longo dos próximos seis meses é que o resultado das eleições de outubro provoque outra explosão no dólar", diz em nota Neil Shearing, economista-chefe para mercados emergentes da consultoria Capital Economics.

Para ele, diferentemente de 2015, quando o dólar disparou ao recorde de quase R$ 4,25, o mercado entendia que o sucessor de Dilma Rousseff após o impeachment, Michel Temer, perseguiria uma agenda econômica mais amigável ao mercado. E isso provavelmente deu suporte ao real nos meses seguintes. "Mas desta vez não há nenhum alento nesse sentido", alerta.

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