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Ibovespa ameniza queda, mas tem dia de pânico e aversão ao risco

07/06/2018 18h07

O pânico chegou ao mercado de ações. O movimento de forte alta do dólar combinado com o receio de que isso leve a um aumento de juros gerou uma pressão vendedora grande na bolsa. A aversão ao risco que simetricamente forçou a alta do juros e do dólar diminuiu no fim do dia, mas o ambiente é tão turbulento que o investidor perdeu a referência de preços.

O Ibovespa caiu 2,98%, aos 73.851 pontos. Na mínima, porém, o índice chegou a perder quase 5 mil pontos ao ceder 6,51%, aos 71.162 pontos ? menor nível desde 16 de novembro de 2017. A saída em massa do mercado é comprovada inclusive pelo volume financeiro da bolsa, de R$ 16,8 bilhões, bem acima do negociado na média do ano e dos últimos pregões.

Só três ações do Ibovespa subiram hoje: Embraer ON (+1,94%), Qualicorp (+1,70%) e Telefônica Brasil (+0,96%). Entre as quedas, os piores desempenhos foram Smiles (-12,06%) e Via Varejo (-9,13%), mas diversos papéis de peso e com maior liquidez também refletiram a saída do investidor, caso de Vale (-3,03%) e Itaú Unibanco (-2,91%).

No pior momento do dia, a queda sequencial do Ibovespa puxou uma onda vendedora extrema na bolsa, acionada por fundos locais e estrangeiros e por mecanismos de "stop loss" para proteger as carteiras. Investidores do "day trade", ou seja, que abrem e fecham posições num mesmo pregão, viram oportunidade em termos de preços com a queda abrupta e ajudaram a aliviar o tombo.

Mas o alívio não deve ser duradouro, e instabilidade é que define o mercado agora. Especialistas observam que os cenários de risco para a bolsa seguem muito elevados, pela combinação da fragilidade dos emergentes e pelos riscos internos sobre os negócios. Em um contexto de receio de alta de juros nos Estados Unidos, a sombra do que se abateu sobre emergentes como Argentina e Turquia transbordam para o Brasil, e o mercado já começa a precificar a necessidade de alta de juros.

Em um momento em que o investidor questiona inclusive a comunicação e atuação do Banco Central (BC), a aversão permanece tão alta que até para traçar cenários os analistas estão sentindo dificuldade. Hoje, o dólar chegou a superar os R$ 3,96, enquanto os juros passaram a precificar uma alta de 0,75 ponto percentual na Selic já em junho, devido à deterioração da confiança.

"Está difícil fazer previsões, mas claramente existe uma piora de fundamentos sim", afirma Luiz Cherman, estrategista de renda variável para o Brasil do Itaú BBA, em entrevista ao Valor. "A greve dos caminhoneiros e a crise com o governo diminuíram a expectativa de crescimento e, principalmente, a confiança."

O banco já analisa formas de se adaptar à velocidade com que o mercado vem mudando de nível de preços, com revisões até mensais para as metas de Ibovespa, que anteriormente eram mais espaçadas. Atualmente, o Itaú BBA projeta um Ibovespa em 86.700 pontos, mas o número "já não parece adequado", segundo o estrategista.

Para Carlos Sequeira, do BTG Pactual, o momento é de "tempestade perfeita". "O balanço de pagamentos aqui tem uma situação muito melhor que Argentina e Turquia, mas a preocupação não é menor por isso, porque para o mercado risco significa prêmio maior", diz.

O BTG não trabalha com um cenário de Ibovespa agora em termos de pontos, mas acredita que o índice pode migrar para 100 mil pontos em caso de vitória de um candidato reformista em outubro ou cair aos 65 mil pontos em caso de um governo completamente descolado dessa agenda. A eleição é, portanto, o grande ponto de definição da bolsa agora.

"Há dificuldade de fazer previsões agora", diz. "Mas acredito que é importante notar que o país não vai quebrar e não está sofrendo ataques especulativos. O Ibovespa, com a queda de hoje, está 15% abaixo da média histórica. Eu vejo oportunidade de compra aí."

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