Bolsas

Câmbio

Ibovespa despenca com dólar caro e pessimismo político

A forte aversão ao risco que tomou conta dos mercados brasileiros faz com que o Ibovespa tenha mais uma sessão amplamente negativa. A disparada do dólar e o pessimismo dos investidores em relação ao cenário político-econômico castiga ações de empresas voltadas ao consumo interno e de companhias estatais e, como resultado, o índice volta aos níveis de dezembro de 2016.

Dos 67 ativos do Ibovespa, apenas um opera no campo positivo: Embraer ON (+1,59%). Por outro lado, 49 papéis apresentam retrações superiores a 2,5% ? destes, 24 caem mais de 5%.

Nesse contexto, às 13h44, o índice operava em queda de 4,47%, aos 72.712 pontos.

Entre as maiores quedas, o fator comum é a forte exposição ao consumo interno e o fato de não atuarem em setores "essenciais" ? caso de varejistas alimentares ou farmacêuticas. Entre as empresas que atuam no setor de viagens e lazer, Smiles ON (-11,56%), CVC ON (-7,98%) e Gol PN (-7,97%) caem fortemente, sendo que a Gol é duplamente penalizada pelo fato de ter uma fatia relevante de sua dívida em dólar.

No segmento de varejo eletrônico e de produtos domésticos, o cenário não é muito diferente: units da Via Varejo (-11,4%), Magazine Luiza ON (-8,5%), B2W ON (-7,4%) e Lojas Americanas PN (-7,5%) despencam.

Esse grupo específico de empresas é impactado pela percepção de fraqueza na recuperação econômica, dólar forte e possível retomada no ciclo de alta de juros, combinação que, segundo analistas, aponta para fraqueza no consumo, especialmente de itens não-essenciais, como os oferecidos por tais companhias.

Já as estatais, como Petrobras PN (-4,8%), Petrobras ON (-3,3%), Eletrbras ON (-7,2%), Eletrobras PNB (-6,5%) e Banco do Brasil ON (-5%) tem quedas expressivas em meio ao pessimismo do mercado em relação ao cenário político brasileiro.

Segundo operadores, a fraqueza do governo atual, com baixos índices de aprovação e que ainda enfrenta dificuldades para encerrar a crise dos combustíveis, somada à falta de visibilidade em relação às eleições presidenciais e às propostas econômicas dos principais candidatos, fazem com que os investidores deixem tais empresas de lado neste momento.

Mesmo as exportadoras, que se beneficiam do dólar alto para impulsionar suas receitas, não conseguem se manter no campo positivo, em meio à saída massiva de investimentos da bolsa. Um indício é o giro financeiro do Ibovespa, que num dia de forte aversão ao risco como hoje, já soma R$ 6,6 bilhões, o que implica em R$ 12,5 bilhões ao fim do pregão.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos