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Juros futuros: Mercado tem dia de pânico em meio à crise de confiança

A sensação de pânico assolou o mercado de juros nesta quinta-feira (7). As taxas de curto prazo dispararam até seus limites diários de oscilação numa onda de zeragem de posições, forçando a B3 a elevar o "teto" e abrir algum espaço para acomodação. De fato, as taxas terminam a sessão regular com alguma distância para os níveis registrados no momento de maior nervosismo, sob atuação de especuladores. No entanto, isso não altera a leitura de que dias melhores não virão tão cedo.

A turbulência que toma o mercado reflete um cenário dramático para o Banco Central. O mercado de juros chegou a precificar uma elevação de 0,75 ponto percentual da Selic na próxima decisão do Copom, em 20 de junho. No fim da sessão, essa aposta ficou em "somente" 0,50 ponto percentual. Esse não é o cenário base do mercado, mas a rápida deterioração da confiança leva os investidores a se protegerem de uma situação extrema.

Há quem mencione, inclusive, o risco de uma reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom), o que não seria típico da administração chefiada por Ilan Goldfajn. Diante de tamanho nervosismo, surgem até preocupações sobre a estabilidade que a autarquia encontra para poder tomar suas decisões sem pressão externa.

"A apreensão aumenta ainda mais porque as pessoas veem o que a Turquia fez hoje", diz um operador. Nesta quinta-feira, o banco central turco subiu sua taxa de referência de 16,5% para 17,75%. Mesmo que o caso brasileiro não seja o mesmo, "ninguém quer ficar para trás, ninguém quer enfrentar o estouro da manada", acrescenta o profissional.

Disparada do dólar

Em boa parte, o tom do mercado é ditado pela disparada do dólar, que hoje tocou R$ 3,96 na máxima do dia. Muitos profissionais têm feito a relação entre o comportamento do câmbio e a política monetária desde a última decisão do Copom. Na ocasião, o anúncio do colegiado surpreendeu boa parte do mercado, que esperava mais um corte. A justificativa da autoridade monetária foi uma piora do balanço de riscos, quando a moeda americana batia os R$ 3,60.

"A espiral negativa está se retroalimentando", diz um profissional. O mercado se preocupa com a escalada do dólar e o risco de uma atuação mais dura do Banco Central. Em seguida, há busca por proteção, que envolve a própria compra da moeda americana, o que, por sua vez, já eleva o temor inicial. "Tem uma dinâmica muito negativa agora", acrescenta.

Os dirigentes do Banco Central têm reforçado que não há relação mecânica entre câmbio e política de juros. Essa foi também a mensagem dada pelo diretor de política monetária do BC, Reinaldo Le Grazie, durante audiência, na quarta (6), na CPI dos Cartões. Ainda assim, as taxas dos juros futuros continuam a subir.

Pico retoma semestre de 2017

No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 era negociado a 7,575% (ante 6,975% no ajuste anterior), depois de bater a máxima no dia de 7,815%. No momento de pico, foi o maior nível desde 5 de setembro de 2017 quando tocou 7,820%.

Outro contrato que sofreu com a zeragem de posições e vinha carregando boa parte das apostas foi o DI janeiro/2020, que subiu a 8,780% (8,060% no ajuste anterior), tendo tocado a máxima em 9,250%. Neste caso, foi o maior nível intradia desde 14 de julho do ano passado (9,270%).

"A porta de saída é pequena, porque todo mundo quer comprar taxa e não tem venda", diz outro operador, que preferiu não se identificar.

Tesouro Nacional

O risco de um aperto monetário tão iminente abre espaço para ajustes nos juros longos. Isso porque uma alta agora diminui a necessidade de um movimento mais duro lá na frente. Alguma trégua também veio da atuação conjunta do Tesouro Nacional com compra e venda de papéis, enquanto o Banco Central agiu com operações compromissadas.

Essa nova estratégia, adotada dez dias depois de o Tesouro ter iniciado operações de recompra de títulos, busca dar mais "funcionalidade" ao mercado de renda fixa, ao criar um mecanismo para quem deseja sair de suas posições. A ideia é munir o investidor que precisar zerar sua posição em juro prefixado, mas que não tem título público.

Para a Icatu Vanguarda, é difícil que essas atuações mudem a direção dos mercados, mas podem trazer alguma acomodação, e "mais funcionalidade, que de fato se perdeu ao longo desta semana". "Fora uma mudança substancial do cenário externo, apenas uma mudança no quadro político local, que venha a aumentar substancialmente a probabilidade de vitória de um candidato liberal e reformista, será capaz de reverter estes movimentos negativos", diz em nota.

Para Vitor Carvalho, sócio e gestor na LAIC-HFM Gestão de Recursos, as operações abrem espaço para alívios momentâneos, mas não mudam tendência que continua sendo negativa.

"Os fatores negativos ainda estão aí: incerteza com eleição, pouco compromisso dos candidatos com reformas, piora fiscal após a crise dos combustíveis, exterior menos favorável", diz. "As operações deveriam ter uma contrapartida da cena política, mas como isso não vem pode ser que não tenham efeito esperado (...) a menos que tenhamos boas notícias, não tem reversão do quadro", diz.

Por volta das 16h, o DI janeiro/2019 ficou em 7,525% (6,975% no ajuste anterior), oDI janeiro/2020 marcava 8,780% (8,060% no ajuste anterior), oDI janeiro/2021 subiu a 9,790% (9,230% no ajuste anterior), oDI janeiro/2023 apontou 11,440 (11,110% no ajuste anterior), oDI janeiro/2025 subiu a 12,120% (11,970% no ajuste anterior), oDI janeiro/2027 marcou 12,570 (12,500% no ajuste anterior) e oDI janeiro/2029 anotou 13,110% (12,810% no ajuste anterior).

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