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Dólar tem maior queda diária em uma década com suporte do BC

08/06/2018 17h26

O mercado de câmbio doméstico mais uma vez honrou o título de um dos mais voláteis do mundo. Apenas um dia depois de o dólar ter saltado mais de 3% e se aproximando de R$ 4, a cotação sofreu hoje a maior desvalorização em uma década. A queda de 5,50% do dólar nesta sexta-feira não era vista desde 13 de outubro de 2008, período em que o mundo lidava com o início daquela que seria conhecida como a maior crise financeira global desde a Grande Depressão.

No fim do dia, o dólar ficou em R$ 3,7074, mais de 20 centavos abaixo da taxa de ontem (R$ 3,9233). O real teve hoje o melhor desempenho global, revertendo todas as perdas da semana e do mês.

O que permitiu que o câmbio saísse da "zona de perigo" em que ingressou ontem foi a mais incisiva atuação do Banco Central pelo menos desde o "Taper Tantrum" de 2013. Numa resposta ao pânico que havia tomado conta dos investidores, o BC anunciou na noite de ontem que não apenas injetaria mais US$ 20 bilhões no sistema ao longo da semana que vem, como usaria, se necessário, todos os instrumentos de que dispõe para conter a volatilidade, incluindo leilão de linhas e venda de dólares das reservas.

Além disso, Ilan Goldfajn não demonstrou desconforto com a possibilidade de o estoque de swaps precisar superar os US$ 110 bilhões alcançados ao longo do primeiro semestre de 2015. Com os swaps hoje em torno de US$ 41,7 bilhões, isso significa que o BC pode, no mínimo, fazer vendas adicionais de US$ 68 bilhões nesses contratos, mais do que dobrando o montante atual.

"É um reforço substancial na intervenção", diz Leonardo Porto, economista-chefe do Citi Brasil. Para ele, o BC tem agido corretamente no intuito de controlar apenas a volatilidade da taxa de câmbio e, dadas as condições, é menos provável que o dólar alcance os R$ 4 no curto prazo.

Apenas hoje, o BC injetou US$ 3,75 bilhões no mercado via swaps, maior colocação desde 18 de maio do ano passado. Desde meados de maio, a autoridade monetária já vendeu US$ 17,9 bilhões nesses contratos. O estoque já está em US$ 41,664 bilhões, maior nível desde agosto de 2016.

A despeito de toda a volatilidade, o Citi mantém cenário de que o real se valorizará até o fim do ano, fechando 2018 em 3,34 por dólar. Isso representa ganho de 11% frente ao patamar desta sexta-feira. Porto acredita que o dólar no exterior voltará a cair e que, no Brasil, as eleições resultarão na vitória de um candidato pró-reformas. Com isso, o dólar terá aberto caminho para cair mais em 2019, terminando o ano que vem em R$ 3,23.

O Santander Brasil também manteve a estimativa já em vigor, de dólar a R$ 3,50 ao fim de dezembro. Em relatório, economistas do banco chamam atenção para "quão esticado" o dólar se mostrou ontem ao se aproximar de R$ 4. "Embora alguns possam dizer que o real está 'caro' devido ao 'carry' incomumente baixo, outros podem argumentar que, em termos reais, a moeda brasileira está 'barata' como poucas vezes se viu desde 1994."

O J.P. Morgan manteve a recomendação "acima da média do mercado" para o real e mantém projeção de R$ 3,60 ao término de dezembro.

Mas o mercado parece apenas iniciado processo de revisão de cenários. O Itaú Unibanco elevou a estimativa para o dólar ao fim do ano de R$ 3,50 para R$ 3,70. E o Bradesco aumentou o prognóstico de R$ 3,35 para R$ 3,60. "[Mas] reconhecemos que no curto prazo a relação do real com o dólar seguirá volátil", diz o Bradesco em nota.

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