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Estratégia do Tesouro abre espaço para trégua no mercado de juros

08/06/2018 17h57

O mercado de juros termina uma semana de intensa volatilidade com um tom de alívio. As taxas futuras de longo prazo, negociadas na B3, foram às mínimas nesta sexta-feira (8), logo que o Tesouro Nacional anunciou que estenderá sua intervenção na renda fixa, pelo menos, até o fim de junho.

Até agora, foram sete operações de recompra de NTN-Fs, que ocorreram entre 28 de maio até 6 de junho. Já os últimos dois dias, incluindo esta sexta-feira, contaram com leilões de compra e venda de papéis, que devem continuar, de forma diária, até a sexta-feira que vem (15). A partir daí, será reavaliado se essas operações precisam ser feitas a cada sessão.

Também foi informado hoje que os leilões tradicionais da semana que vem foram cancelados. Sem novas emissões, a instituição evita injetar mais pressão ao mercado. Ao mesmo tempo, o Tesouro atua no lado da compra para oferecer liquidez, enquanto busca dar um pouco mais referência ao mercado sobre as taxas de juros.

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou que, se necessário, poderá aumentar o tamanho dos leilões de compra de papéis. Até agora, as operações diárias têm sido de até 1,5 milhões de títulos. E o próprio programa de leilões extraordinários de ir até além deste mês caso seja necessário.

A reação do mercado veio com forte queda dos juros longos, que são mais afetados pelas operações. O DI janeiro de 2027 caiu até 12,120%, quase 50 pontos-base abaixo do ajuste passado, e terminou a sessão regular em 12,130%. Isso não reverte a piora acumulada na semana, já que a taxa subiu 56 pontos ante o fechamento da última sexta-feira (1º de junho).

Efeito eleição

O novo patamar das taxas só deixa evidente que a perspectiva está longe de ser mais positiva. A dúvida sobre o compromisso dos principais presidenciáveis com a agenda de reformas, somada à delicada situação fiscal e um ambiente externo menos benéfico desenha um pano de fundo sombrio para os ativos.

"A entrevista (dos dirigentes do Tesouro), junto com o movimento do dólar, aliviou o estresse da curva inteira", afirma David Vaisberg Cohen, da Paineiras Investimentos. A volatilidade no mercado vai depender do quadro eleitoral, acrescenta o especialista, que reitera que o Banco Central e o Tesouro estão atuando com força para minimizar esse cenário.

Desta vez, também entra na conta a preocupação em torno da pesquisa do Datafolha, prevista para domingo (10). "Tem um ambiente de muita apreensão e isso só piora a cada pesquisa de intenção de votos', diz um gestor paulista. Ele destaca a preocupação com a liderança de Ciro Gomes e Jair Bolsonaro na pesquisa deste fim de semana, enquanto candidatos mais "market friendly" ainda patinam nas intenções de voto.

Selic

As marcas de uma semana turbulenta ficam ainda mais evidentes nos juros de curto e médio prazo, que precificam os próximos passos na política monetária. A probabilidade implícita de uma alta da Selic já em junho disparou e chegou a apontar um aperto de 0,75 ponto percentual, no momento de maior estresse. O risco até se acomodou, mas os investidores ainda preferem adotar uma postura de cautela. Até num reflexo dessa piora de sentimento, o DI janeiro de 2020 saiu de 7,66% na sexta-feira passada para 8,740% no fim desta sessão regular.

Os desafios para o mercado continuam na próxima semana. O Federal Reserve, banco central americano, deve anunciar uma elevação de juros na quarta-feira (13). A inciativa é amplamente esperada pelo mercado, mas deve aumentar a pressão sobre os emergentes e ativos de risco em geral.

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