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Ibovespa cai 5,6% na semana e empresas perdem R$ 131 bilhões

08/06/2018 18h04

Em uma semana marcada por forte volatilidade e estresse dos investidores, a bolsa acumulou baixa de 5,56%. Da máxima em 78.892 pontos atingida na semana à mínima em 71.161 pontos, a variação do índice foi de 10% ? provando que instabilidade é a melhor definição do mercado de capitais atualmente.

De segunda-feira até hoje, a perda do valor de mercado das companhias do Ibovespa foi de R$ 131,5 bilhões. A queda semanal do índice foi a pior desde a semana fechada em 8 de janeiro de 2016, quando a baixa foi de 6,31% -sem contar a semana encerrada em 19 de maio, quando a delação dos donos da JBS sacudiu o mercado de forma excepcional e o Ibovespa caiu 8,18%.

E, embora há um ano aquele susto tenha levado o investidor a questionar o futuro do governo, a avaliação nas mesas de operação é que o momento atual é mais grave. O governo saiu bastante desgastado da greve dos caminhoneiros e, além disso, a percepção do mercado é que o Banco Central (BC) demorou para conseguir aplacar o nervosismo no câmbio. Em ano eleitoral, trata-se de uma combinação muito ruim para a renda variável.

Hoje, o índice recuou 1,23%, aos 72.942 pontos, depois de ter ameaçado uma recuperação na abertura (+0,24%). Na mínima do dia, chegou a cair 2,94%, aos 71.679 pontos. O giro financeiro, mais uma vez intenso, foi de R$ 12,6 bilhões. No mês, o Ibovespa cai 4,97%; no ano, acumula perda de 4,53%.

A grande responsável pelo tombo foi a Vale ON (-6,40%), exportadora que subiu muito desde o começo do mês conforme o dólar se fortalecia e que, hoje, similarmente, acompanhou o forte recuo da moeda americana. Mesma direção tiveram outras exportadoras, como Suzano (-9,54%), maior baixa no dia.

Na outra ponta, papéis que sofreram fortemente com o tombo de ontem abriram espaço para entrada de investidores, que viram nos preços baixos um motivo para reajustar carteiras. Entre os maiores ganhos no dia, Kroton (+6,72%), Smiles (+6,18%) e B2W (+5,83%) foram destaques.

Só que tampouco o mercado tem motivo para se animar. O BC deu um colchão de liquidez para tentar conter a volatilidade cambial, o que ajudou a aplacar o dólar, os juros e, com maior atraso, a bolsa, mas as perspectivas para o cenário político e econômico no Brasil não melhoraram.

Só hoje, Itaú BBA, Bradesco BBI e UBS revisaram seus cenários para alguns indicadores, incluindo projeções menores para o Produto Interno Bruto (PIB). Em meio a dúvidas sobre as eleições, com enfraquecimento do governo e com piora substancial do ambiente para emergentes, a bolsa reflete o sentimento de risco que o investidor vê no Brasil.

"O cenário interno ainda inspira cautela, mesmo com a trégua dos juros e do câmbio. A bolsa estava mais atrasada em relação aos outros mercados em se ajustar às piores perspectivas em termos fiscais, políticos e econômicos", afirma Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos. "Os fundamentos das empresas estavam em ritmo razoavelmente positivo, com CDS mais comportado. E essas teses já começam a ser ameaçadas."

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