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Juros voltam a subir em nova rodada de zeragem de posição e incertezas

08/06/2018 12h19

A onda de zeragem de posições volta a abalar o mercado de juros nesta sexta-feira, indicando que a turbulência não tem data para terminar. Entre as taxas mais afetadas, aparecem o DI janeiro de 2020 e o DI janeiro de 2021, este último retomando os dois dígitos.

Mais cedo, operadores até comentavam que a queda do dólar - sob influência das ofertas de swap cambial - poderia trazer algum respiro para o mercado de juros. De fato, foi observado até um comportamento mais ameno nos primeiros negócios da sessão enquanto a moeda americana caía 3%. No entanto, a trégua teve vida curta para os juros.

As intervenções do Tesouro e do Banco Central (BC) na renda fixa não conseguem estancar a sangria no mercado, já que ainda há fatores de incertezas que pesam no ambiente de negócios. A dúvida sobre o compromisso dos principais presidenciáveis com a agenda de reformas, somada à delicada situação fiscal e um ambiente externo menos benéfico pinta um pano de fundo sombrio para os ativos.

Desta vez, também entra na conta a preocupação em torno da pesquisa do Datafolha, prevista para domingo. "Tem um ambiente de muita apreensão e isso só piora a cada pesquisa de intenção de votos', diz um gestor paulista.

O quadro de desconforto, acrescenta o profissional, vem ainda do resultado acima do esperado do IPCA deste mês. Paulo Petrassi, sócio e gestor da Leme Investimentos, vê de maneira negativa o indicador de inflação. Segundo ele, o número não é ruim em si e, sim, a surpresa em meio ao atual ambiente delicado.

Ontem, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, voltou a reiterar em entrevista coletiva que não vai usar o juro para controlar o câmbio.

Para João Fernandes, economista da Quantitas, o BC trouxe dois recados importantes. O primeiro é que vai atuar no mercado de câmbio caso haja necessidade, podendo passar dos US$ 100 bilhões de estoque de swap. Em segundo, esclareceu que continua acompanhando os fundamentos para embasar as decisões sobre a taxa básica de juros (Selic). "O BC reiterou que não há ligação mecânica entre câmbio e juros, que olhará inflação e balanço de riscos. Lógico que isso é influenciado indiretamente pelo câmbio, mas é preciso grande mudança para agir", afirma.

Segundo ele, agora é necessário olhar o câmbio e ver quais mudanças na inflação são suficientes para mudar a atuação da autoridade. Na sua visão, para antecipar a alta de juros o dólar precisaria ir para a casa de R$ 4,30, um cenário de estresse forte. Com a moeda americana estável em R$ 4, a elevação fica para março de 2019 apenas.

O economista comenta também que o prêmio de risco para Brasil está muito alto em comparação com outros países emergentes e que é difícil saber quando esse movimento vai suavizar. "O que justifica o prêmio ainda se mantém: cenário eleitoral sem perspectiva forte para nenhum candidato, a situação fiscal muito ruim e com perspectiva de piora com as questões dos combustíveis, e a situação externa ainda pouco tranquila. Todos os fatores que justificaram a aversão ao risco estão de pé."

Às 12h15, o DI janeiro/2019 subia a 7,695% (7,585% no ajuste anterior), oDI janeiro/2020 subia a 9,220% (8,840% no ajuste anterior) e oDI janeiro/2021 avançava a 10,080% (9,790% no ajuste anterior). ODI janeiro/2023 tinha alta a 11,550% (11,320% no ajuste anterior).

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