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Dólar ensaia queda, mas fecha em alta mesmo com atuação do BC

11/06/2018 18h12

O Banco Central vendeu US$ 2,5 bilhões em swaps cambiais apenas nesta segunda-feira, ajudando o dólar a tocar uma mínima em duas semanas, na casa de R$ 3,67. Mas na parte da tarde as compras ganharam força, puxadas pelo maior ímpeto da moeda americana no exterior.

No fechamento, o dólar acabou subindo 0,45%, a R$ 3,7242. O comportamento do câmbio dá uma ideia do tamanho do desafio do BC para conter a volatilidade, especialmente diante das incertezas eleitorais domésticas e do processo de normalização da liquidez no mundo desenvolvido.

No mercado futuro, a taxa do contrato com vencimento em julho caía 0,09% às 17h46, para R$ 3,7145. O sinal melhorou após o mercado conhecer as declarações do presidente do BC, Ilan Goldfajn, em evento nesta segunda-feira no Goldman Sachs.

Ilan reiterou que o BC continuará a oferecer swaps, que não há preconceito com o uso de qualquer dos instrumentos disponíveis para acalmar o câmbio e que o estoque de swaps poderá ultrapassar os valores máximos já alcançados.

Em 31 de março de 2015, o estoque de swaps bateu a máxima recorde de US$ 114,918 bilhões. O dado considera a data de liquidação dos contratos, não de venda.

Mas chama atenção o fato de o dólar ter encerrado em alta mesmo com a injeção, apenas hoje, de US$ 2,5 bilhões no sistema. A sensação é que o mercado até demonstra menos nervosismo, mas também que qualquer trégua ainda parece frágil.

Hoje, Ilan reiterou que oferecerá um total de US$ 24,5 bilhões em swaps até o fim desta semana. Entre 14 de maio e 7 de junho, o BC injetou no mercado futuro de dólar o equivalente a US$ 14,117 bilhões via swaps.

Isso daria um total de US$ 38,617 bilhões a mais em dólares num período de 24 dias úteis, período em que o BC retomou as vendas líquidas de swap.

Desde 2002, quando começou a usar os swaps como instrumento de atuação no mercado de câmbio, o BC nunca colocou tantos contratos para esse mesmo intervalo de tempo. Nem em 2008, na esteira da crise financeira global; nem em 2013, ano do "Taper Tantrum"; nem em 2015, quando o dólar disparou acima de R$ 4 com uma onda de venda de ativos no Brasil; nem em maio do ano passado, após as delações da JBS.

Nem no período da ração diária - entre 2013 e 2015, na era Alexandre Tombini -, o BC vendeu tantos swaps em tão pouco tempo.

Em janeiro passado, o dólar chegou a ser negociado na casa de R$ 3,12. Na semana passada, flertou com R$ 4. No acumulado de 2018, a cotação sobe 12,39%. O real tem o terceiro pior desempenho mundial no ano, melhor apenas que peso argentino e lira turca.

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