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Investidor fica na defensiva com cena eleitoral e Ibovespa cai

A percepção de risco do investidor com o Brasil segue forte. Em um ambiente em que os emergentes seguem fragilizados, o alívio com o cenário eleitoral durou pouco, e o investidor começa a semana mais uma vez em tom defensivo.

O Ibovespa caiu 0,87%, aos 72.308 pontos, depois de ter caído até o nível dos 71.843 pontos (-1,51%). O giro financeiro, no entanto, mostra a menor disposição dos agentes aos negócios: R$ 7,6 bilhões, abaixo da média dos últimos pregões.

A divulgação da pesquisa Datafolha com as intenções de voto nas eleições presidenciais mostrou que candidaturas menos alinhadas com a agenda de reformas não deslancharam. No entanto, tampouco o levantamento indicou que chapas mais alinhadas ao mercado ganharam força.

Trata-se, segundo operadores, de um contexto que mantém o investidor retraído, em busca de opções mais defensivas para reduzir a volatilidade das carteiras e menos propenso à tomada de risco.

"Hoje tivemos um bloco de corretoras estrangeiras grandes vendendo [ações] à vista, em especial nos papéis mais líquidos, o que explica a piora dos bancos durante a tarde", nota um operador. "Isso ocorre em um contexto em que a demanda por crédito, que já não era grande, deve encontrar mais problemas para se expandir."

No setor bancário, todos os papéis de maior peso ficaram no vermelho: Bradesco ON caiu 2,04% e Bradesco PN cedeu 1,89%, enquanto Itaú Unibanco PN recuou 2,89%. Entre as blue chips, destaque também para o movimento positivo da Petrobras ON (+2,17%) e Petrobras PN (+1,05%), enquanto a Vale ON caiu 0,08%.

Para o interlocutor, o Brasil, que vinha em um ritmo mais resiliente em relação a outros emergentes, agora parece mostrar mais as suas vulnerabilidades, em especial depois que a greve dos caminhoneiros demonstrou o quão frágil está o governo atual.

O MSCI Brasil, indicador relevante para os estrangeiros, acumula queda de 3,56% no mês e de 16,89% no ano. Já o MSCI de mercados emergentes tem, no mês, alta de 1,31%, enquanto a queda no ano é de 1,99%. Os dados consideram o fechamento de sexta-feira, o mais recente disponível.

A piora do Brasil vem principalmente no mês de maio, quando a crise dos combustíveis e a greve dos caminhoneiros jogaram dúvidas sobre a capacidade de articulação do atual governo e derrubaram o então presidente da Petrobras, Pedro Parente. De maio até sexta-feira, porém, o MSCI Brasil cai 22%, contra recuo de 2,5% nos emergentes.

O desempenho indica que de fato o mercado de ações brasileiro entrou em ritmo indefinido, pautado em especial pelas questões domésticas ligadas à eleição. De janeiro a abril, o MSCI Brasil havia acumulado alta de 6,6%, enquanto os emergentes avançaram 0,5%.

Nesse momento, a regra é buscar os ativos menos arriscados em cada segmento. Na Guide Investimentos, a recomendação já é evitar, por exemplo, a Usiminas PNA (-5,06%) ? segunda maior queda do dia. A siderúrgica mineira tem como foco o mercado doméstico, com mais de 80% da produção ligada a Brasil. É, portanto, um papel menos interessante no setor ante Gerdau (-0,84%), que tem parte do seu lucro operacional gerado nos Estados Unidos, e mesmo relação à CSN (-0,86%), que tem produção própria de minério de ferro.

"A busca por proteção fica nítida no movimento de ativos mais defensivos, como Gerdau e Vale no setor de matérias-primas. O investidor continua buscando diminuir o 'risco Brasil' do portfólio", dizem os analistas da Guide.

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