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Juros futuros de curto prazo caem com oferta reforçada de swap cambial

11/06/2018 18h05

A estratégia do Banco Central para conter o nervosismo dos investidores aliviou a tensão sobre as apostas de curto prazo para a política monetária. Um choque de juros - que chegou a ser cogitado no pior momento de estresse - já não parece ser um risco tão iminente. No entanto, a percepção é de que o quadro de juros baixos não deve durar tanto.

O respiro do mercado se traduziu, nesta segunda-feira (11), em nova queda dos juros curtos. A taxa projetada pelo DI janeiro de 2019 caiu 11 pontos-base, para 7,230%, no fim da sessão regular. Profissionais de mercado destacam que a oferta reforçada de swap cambial não só ajudou a conter a disparada do dólar, mas também se alinhou aos sinais do Banco Central de que a Selic pode não subir em junho.

O esforço da autarquia vai além da intervenção no câmbio. Representantes da equipe econômica tem vindo a público, quase diariamente, para mostrar a capacidade de segurar a volatilidade no mercado. Nesta segunda-feira, o presidente do BC, Ilan Goldafajn, afirmou que não há preconceito contra o uso de qualquer instrumento, seja swap, reservas ou leilões de linha. No entanto, a política monetária não será usada para controlar a taxa de câmbio.

Faltando cerca de uma semana para próxima decisão do Copom, o quadro de inflação abaixo do centro da meta e de atividade fraca também servem de argumentos para amenizar as preocupações com alta iminente de juros.

O gestor Renato Boto, da Absolute Investimentos, destaca que o hiato do produto continua aberto, as revisões de crescimento para baixo continuam acontecendo e a expectativa de PIB começa a ir para 1,5% a 2%.

"Isso tudo faz com que a pressão sobre os núcleos de inflação continue baixa", diz o gestor. Ele não espera alta de juros nas duas próximas reuniões do Copom, de junho e agosto, pois o Banco Central não teria tempo hábil para observar o comportamento da inflação.

Ainda que o aperto monetário não venha tão cedo, o risco é de que também não demore muito a chegar. A Quantitas revisou suas projeções e agora vê o ciclo de alta começando antes, com pico da meta Selic mais alto. A taxa deve voltar a subir em março de 2019 e deve chegar a cerca de 9,75% em dezembro do ano que vem, considerando que o dólar bata R$ 4 até o fim de 2018. A perspectiva é bem mais dura que a anterior quando se esperava aperto só em setembro, com pico de 8,25% em 2020.

"Ainda não dá para tirar o risco sobre um aperto monetário", diz o economista João Fernandes, da Quantitas.

Numa evidência de que essa preocupação também prevalece no mercado, os juros de médio prazo subiram nesta segunda-feira. A taxa do DI para janeiro de 2021 subiu para 9,690%, de 9,580% no ajuste anterior. Um outro exemplo da leitura mais calma para o curto prazo e o risco mais à frente vem da chamada inflação implícita de títulos públicos. A taxa de um ano saiu de 7,8%, na última sexta-feira (8), para 5,2% nesta segunda-feira. Por outro lado, a projeção para períodos mais longos continuou a subir. A de cinco anos, por exemplo, saiu de 5,6% para 5,8%.

"O movimento reflete a nova calibragem do mercado em relação à inflação futura em função do câmbio e da eleição", explica o estrategista de um asset local.

Por volta das 16h, no fim da sessão regular, DI janeiro/2019 caiu a 7,230% (7,340% no ajuste anterior); oDI janeiro/2020 recuou a 8,680% (8,710% no ajuste anterior); o DI janeiro/2021 subiu a 9,690% (9,580% no ajuste anterior); o DI janeiro/2023 avançou a 11,130% (11,070% no ajuste anterior); o DI janeiro/2025 caiu a 11,760% (11,780% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 baixou a 12,100% (12,140% no ajuste anterior).

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