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Dólar cai pouco em meio a compras de oportunidade

12/06/2018 18h15

O dólar ameaçou cair abaixo de R$ 3,67 nesta terça-feira, mas a partir desse ponto as compras de importadores e de investidores institucionais ganharam força e devolveram a moeda para perto de R$ 3,70, patamar que tem se mostrado um forte suporte técnico. A tomada de fôlego do dólar no exterior também amparou a cotação aqui, na véspera da decisão de política monetária nos Estados Unidos.

No fechamento das operações interbancárias, o dólar caiu 0,31%, a R$ 3,7128. Na mínima do dia, recuou a R$ 3,6707, em baixa de 1,44%.

O piso intradiário foi tocado às 12h57, logo após o Banco Central anunciar a colocação integral dos US$ 1,5 bilhão ofertados no segundo leilão de swaps cambiais realizado nesta terça.

Apenas hoje, o BC vendeu um total de US$ 3 bilhões na forma de swaps cambiais, em dois leilões separados (US$ 1,5 bilhão cada).

Com isso, o BC elevou a US$ 23,367 bilhões o total já colocado no mercado desde 14 de maio, quando retomou as ofertas líquidas de swaps. Assim, o estoque de swaps do BC no mercado aumentou para US$ 47,164 bilhões, máxima desde 12 de agosto de 2016 (US$ 47,850 bilhões).

De forma geral, analistas têm elogiado a atuação do BC. Rafael Biral, diretor da mesa de clientes do Standard Chartered Bank no Brasil, diz que, se o BC não tivesse dado um recado mais forte na semana passada, o dólar poderia ter se aproximado de R$ 4,20. Na máxima da semana passada, a cotação foi a R$ 3,9674.

"Foi uma pressão descabida no câmbio. E exigiu que o BC desse uma mensagem mais forte. [...] Mas também não acho que o BC deveria ter entrado antes. Ele entrou quando o mercado começou a perder parâmetro", afirma o executivo do Standard Chartered.

Mas um ponto que começa a chamar atenção é se o BC fará toda a oferta de liquidez prometida na semana passada. Entre sexta-feira da semana passada e o próximo dia 15, também sexta, o BC havia se comprometido a vender um total de US$ 24,5 bilhões em swaps. Mas o BC tem feito colocações abaixo da média diária necessária para alcançar esse montante até sexta-feira.

Nesta manhã, o dólar chegou a subir após o BC anunciar leilão de "apenas" US$ 1,5 bilhão em swaps. O lote menor nesse primeiro leilão do dia surpreendeu especialmente porque, ontem, o dólar já havia subido a despeito de o BC ter vendido US$ 2,5 bilhões em swaps. Também na segunda-feira, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, havia reiterado que a autoridade monetária ofertaria ao mercado, até o fim desta semana, um total de US$ 24,5 bilhões na forma de swaps.

A leitura é que o BC pode estar "guardando munição" para amanhã, quando o Federal Reserve (Fed, BC americano) provavelmente subirá, de novo, a taxa de juros, e com chances de traçar um quadro positivo para a economia americana - o que seria entendido como sinal de mais altas de juros nos próximos meses.

"Acho que o BC deveria pelo menos fazer as ofertas, deixar o mercado decidir se quer ou não os swaps", afirma Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital.

Caso faça, até sexta-feira, a venda de todo o volume de swaps prometido, o BC terminará o período de 24 dias úteis colocando quase US$ 39 bilhões no mercado, um recorde.

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