Dias de caos econômico

A semana que termina ficará marcada na história econômica brasileira e mundial

Ricardo Marchesan Do UOL, em São Paulo Kazuhiro Nogi/AFP

Coronavírus, petróleo...

Uma série de fatos impactou profundamente os mercados globais nos últimos cinco dias e fizeram com que, por aqui, o dólar disparasse e a Bolsa derretesse, tendo que ser interrompida em três dias na mesma semana pela primeira vez.

Kazuhiro Nogi/AFP

4 fatos que marcaram a semana

  • Petróleo

    Preços do petróleo despencaram com disputa entre Rússia e Arábia Saudita

    Imagem: CARLOS GARCIA RAWLINS
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  • Coronavírus

    Contágio da doença se espalhou pelo mundo e OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou pandemia

    Imagem: National Institutes of Health / AFP
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  • Trump

    Presidente americano, Donald Trump, suspende voos da Europa para os EUA

    Imagem: REUTERS/Jonathan Ernst
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  • BPC

    Congresso amplia benefício BPC, em derrota que custará R$ 20 bi ao governo

    Imagem: Reprodução/Twitter
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France Presse/AFP

Segunda-feira: Petróleo e recordes negativos

O fim de semana anunciava que os dias seguintes não seriam fáceis. O governo da Itália, um dos países mais afetados pelo coronavírus, decretou quarentena em diversas regiões, impedindo a livre circulação de pessoas.

Paralelamente, o preço do petróleo no mercado internacional já vinha em queda há duas semanas, o que levou a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a propor uma redução na produção. As negociações não terminaram bem: a Rússia se recusou a apoiar os cortes.

A Arábia Saudita, grande exportadora de petróleo, decidiu, no domingo (8), aumentar a oferta e oferecer descontos, em uma disputa que fez a cotação da matéria-prima ter a maior queda desde a Guerra do Golfo.

A queda no preço do petróleo derrubou as Bolsas da Ásia, Europa e EUA na segunda-feira (9).

Na Bolsa do Brasil, o tombo foi tamanho que as operações foram suspensas temporariamente pelo "circuit breaker" —o que não acontecia desde 2017. Ao final do dia, a queda foi de 12% —a maior desde 1998. O dólar, que já vinha em alta há algumas semanas, saltou 2%, a R$ 4,726, alcançando novo recorde.

CARL RECINE

Quarta-feira: Pandemia e BPC

A terça-feira foi de relativa calmaria e altas registradas em Bolsas pelo mundo. Porém, a quarta-feira trouxe de volta a tensão, com a Organização Mundial da Saúde declarando a pandemia do coronavírus.

O Ibovespa fechou em queda de 7,64%, a 85.171,13 pontos, no menor nível desde 26 de dezembro de 2018. Durante a tarde, a Bolsa brasileira chegou a cair mais de 10%, acionando o "circuit breaker" pela segunda vez na semana. O dólar fechou em alta de 1,61%, a R$ 4,721.

À noite, o governo brasileiro sofreu uma derrota no Congresso, que derruou um veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e aumentou o acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), benefício pago a idosos e deficientes pobres. A medida deve custar R$ 20 bilhões por ano aos cofres públicos.

POOL New

Quinta-feira: Trump e dólar a R$ 5

Também na noite de quarta, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou medidas para tentar conter o avanço do coronavírus —entre elas, a restrição de voos da Europa para os EUA. A decisão derrubou novamente o preço do petróleo e espalhou tensão pelos mercados globais na quinta-feira (12).

No Brasil, a Bolsa acionou duas vezes o "circuit breaker" pela manhã. No começo da tarde, chegou a cair 19,59% e quase houve um terceiro acionamento da parada. Fechou em queda de 14,78%, novamente a maior queda desde 1998.

O dólar também disparou e chegou a ultrapassar os R$ 5 pela primeira vez na história, mas desacelerou e fechou a R$ 4,786. Ainda assim, um novo recorde de fechamento em valores nominais (sem levar em conta a inflação).

ADRIANO MACHADO

Sexta-feira: 13º e trégua

No último dia útil da semana, os mercados globais tiveram um dia de trégua. O mesmo se viu na Bolsa brasileira.

O mercado reagiu bem a medidas de estímulo anunciadas pelo governo brasileiro na noite da véspera —entre elas, a antecipação do 13º salário do INSS, o que deve injetar R$ 23 bilhões na economia.

No Brasil, o mercado também acompanhou o resultado dos testes de coronavírus do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tiveram resultado negativo, segundo o próprio presidente. Um secretário que viajou com ele aos Estados Unidos teve confirmada infecção pela covid-19.

No exterior, Donald Trump anunciou estado de emergência nos EUA, liberando US$ 50 bilhões em fundos federais para o combate à pandemia de coronavírus.

O Ibovespa fechou em alta de 13,91%, aos 82.677,91 pontos. Na semana, a Bolsa perdeu 15,63%. Em março, a desvalorização é de 20,63% e, no ano, de 28,51%.

O dólar teve um dia de forte oscilação. Chegou a cair quase 3%, porém, passou a subir à tarde e fechou em alta de 0,57%, a R$ 4,813. Este é o maior valor nominal (sem considerar a inflação) de fechamento desde a criação do Plano Real. Na semana, o dólar avançou 3,85%, maior alta desde novembro de 2019.

Dólar e Bolsa ao final desta sexta (13)

  • R$ 4,813

    Dólar subiu 3,85% na semana

    Imagem: reprodução
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  • 82.677,91 pontos

    Bolsa caiu 15,63% na semana

    Imagem: Amanda Perobelli
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Por que o Coronavírus afeta tanto o dólar e a Bolsa?

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