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Estas torres já controlam pouso de aviões a distância, mas isso é seguro?

Torres de controle remotas vêm ganhando mais espaço na aviação desde a última década - Divulgação/NATS
Torres de controle remotas vêm ganhando mais espaço na aviação desde a última década Imagem: Divulgação/NATS

Por Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/07/2021 04h00

Na maioria dos aeroportos que recebem voos comerciais ela está lá: uma torre que costuma ser a construção mais alta do local e com vista para o pátio e as pistas de pouso e decolagem. Essa é a torre de controle de aeródromo, local responsável por gerenciar o tráfego aéreo durante os pousos e decolagens, além da coordenação dos aviões no solo.

Entretanto, ela pode se tornar cada vez menos presente nos aeroportos nos próximos anos. As torres físicas vêm sendo substituídas por torres de controle remotas, que usam de novas tecnologias para comandar os voos a distância.

Também chamadas de R-TWR (Remote Air Traffic Control Towers - torres de controle de tráfego aéreo remotas, em tradução livre), elas permitem que um controlador gerencie vários locais com pouca movimentação de apenas um lugar ao mesmo tempo. Tudo isso mantendo o mesmo padrão de segurança que a torre presencial.

Como funciona?

torre londres - Divulgação/NATS - Divulgação/NATS
Torre remota de controle do aeroporto da Cidade de Londres, localizada em Swanwick (Inglaterra)
Imagem: Divulgação/NATS

Ao invés de se construir uma edificação para abrigar sistemas e equipe de controle, basta a construção de uma estação que contará com diversas câmeras e sensores em seu topo. Esses equipamentos oferecem uma visão em 360º do entorno do aeroporto, reproduzindo a sensação de se estar no local.

As imagens dessas câmeras são enviadas para a base remota de controle por meio de uma conexão de dados de alta velocidade. Ali, são exibidas em diversos monitores, que montam uma visão panorâmica do local operado.

Ainda há a possibilidade de serem instalados sensores que identificam automaticamente as aeronaves que estão se movimentando e exibem mais informações sobre elas diretamente na tela. Além dos aviões e helicópteros, esses equipamentos permitem a identificação de animais que estejam sobre a pista ou nas proximidades e que possam representar algum risco aos voos.

Entre as vantagens das torres remotas está o menor custo de instalação e a possibilidade de um único operador controlar mais de um aeroporto. Já a possibilidade de dar zoom nas imagens facilita a inspeção das pistas em busca de objetos ou falhas que coloquem as aeronaves e passageiros em perigo.

Viabilidade

torre - Divulgação/FAB - Divulgação/FAB
Torre remota de controle na Ala 12, a base aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro
Imagem: Divulgação/FAB

Segundo a Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral), segmento que opera na maioria dos aeroportos do país, a torre remota tem a capacidade de prestar o mesmo tipo de serviço que uma presencial, com a vantagem de tornar o transporte mais rápido, eficiente e econômico para a aviação geral.

Para a associação, essa modalidade de torre tem um aspecto positivo para a aviação de negócios, que opera em aeroportos de menor porte, viabilizando operações mais seguras e eficientes.

Locais que não eram controlados até então poderão contar com a coordenação, o que aumenta a capacidade de pousos e decolagens, além de melhorar a segurança. Assim, localidades remotas também poderão passar a ser acompanhadas pelo sistema.

Presença no Brasil e no mundo

torre - Montagem FAB/OACI - Montagem FAB/OACI
Sistema de câmeras da torre remota de controle da Ala 12, base aérea em Santa Cruz, no Rio de Janeiro
Imagem: Montagem FAB/OACI

No Brasil, a primeira torre remota de controle foi instalada em 2019 na Ala 12, a base aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Essa é a primeira instalação do tipo na América Latina, e conta com 16 câmeras fixas, sendo duas com capacidade de se movimentar e de aproximar as imagens em até 24 vezes. As cenas capturadas são remontadas em 14 monitores de alta definição de 55 polegadas cada.

A maior torre remota do mundo fica na Noruega, em Bodø, e usa tecnologia da empresa espanhola Indra. Dali são controlados os aeroportos de Røst e Vardø, que ficam a 115 e 750 quilômetros de distância do local, respectivamente.

Até o final de 2022, a Avinor, estatal norueguesa que presta os serviços de navegação aérea do país, pretende ter 15 aeroportos remotamente controlados a partir de Bodø, que fica a cerca de 900 km da capital Oslo.

Na Inglaterra, o aeroporto Heathrow, o maior do país, tem um sistema de controle de tráfego aéreo remoto que é utilizado caso a torre física não esteja disponível, como em caso de um incêndio.

Já o aeroporto da Cidade de Londres se tornou o primeiro aeródromo internacional de grande porte a ser controlado totalmente por uma torre digital remota. A equipe que coordena a movimentação e o tráfego no local está situada em Swanwick, a 115 km dali.