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Criar mercado a partir de ideias e ideais pode consolidar um negócio

Marco Roza

Colunista do UOL, em São Paulo

24/04/2013 06h00

Ainda faz parte de nossa cultura empreendedora acumular capital, suficiente para contratar profissionais, investir em infra-estrutura, em mercadorias ou na organização dos prestadores de serviço e abrir uma clareira no concorridíssimo mundo de negócios.

Acostumados há longas décadas a esse princípio básico ainda encontramos dificuldade de assimilar o capital intelectual, que se vale da antecipação de tendências, da capacidade de criar e desenvolver novos mercados, apoiados em relacionamentos e intensa troca de ideias e de ações que consolidam novas ideias e ideais.

Os que repetem a postura dos empresários convencionais, de acordo com o modelo que assimilaram de seus pais e avós, ainda apostam em longos processos de planejamento, em antecipação de cenários de curto e médio prazos, na prospecção de financiadores para sustentar o futuro negócio.

Correm o risco de quando terem confirmado seu plano de negócios, de o empreendimento em si não ter mais mercado por ter sido rapidamente ocupado (mesmo que precariamente) por um concorrente mais hábil que tenha aprendido, com os novos tempos, a juntar ideias e idealistas.

Capazes de movimentar no ambiente em que o capital intelectual e os relacionamentos são determinantes para se criar primeiro os novos mercados e, quase que simultaneamente, os novos nichos com seus respectivos produtos e/ou serviços.

É a novíssima possibilidade de vincular capital intelectual com relacionamentos intensos, possibilitados pela crescente convivência com os ambientes digitais, que permitem o surgimento das empresas modernas que se fazem praticamente do zero, se levarmos em consideração apenas os capitais envolvidos.

Essa confluência de ideias com ideais, de relacionamentos intensos com ações coordenadas e sustentadas em acordos formalizados de maneira dinâmica é que tem permitido o surgimento de empresas que apostam no que o autor Peter Sims analisa em seu livro “Little Bets” (“Pequenas Apostas”).

A obra tenta nos ensinar como “as negócios de vanguarda emergem a partir de pequenas descobertas”.

Na extensa lista compilada por Peter Sims no seu livro está Steve Jobs, da Apple e Jeff Bezos, fundador da Amazon.

Mas também encontramos referências a Thomas Edison e a Ludwig van Beethoven, como experimentadores contumazes, que associaram imenso talento com exaustivas horas dedicadas a se reinventar e a recriar os universos em que atuavam.

Também no Brasil

No Brasil também já temos cases de sucesso que apontam na direção similar às pesquisadas por Peter Sims.

Como é o caso de Gustavo Caetano que apostou primeiro na Samba Mobile, para criar mercado em torno de uma ideia simples que teve ao tentar realizar download de joguinhos para seu celular, em 2003, e não os encontrar.

Resolveu ele mesmo apostar na ideia, pois como ele, outros milhares de usuários também gostariam de ter acesso a esses joguinhos.

O resultado foi não apenas uma oportunidade de mercado mas, principalmente, uma oportunidade de se criar inteiramente do zero um novo mercado. E em vez de ficar em São Paulo ou Rio, Gustavo Caetano voltou para suas origens, em Belo Horizonte.

O motivo é que ele conhecia de perto o potencial da cidade, de suas universidades, seu clima, custo de vida e, especialmente, a possibilidade de agregar uma equipe motivada em torno de suas ideias iniciais.

Tanto é que até mesmo a descrição da Samba Tech, que surgiu com o avanço da Samba Mobile, e que é líder na oferta de vídeos on-line no Brasil e com uma expansão acelerada no mundo, assim se define:

“Contamos com uma família de funcionários fanática e dedicada que comprou o sonho da empresa e se dedica para garantir a satisfação dos nossos clientes.

E isso não quer dizer que nos esforçamos apenas para entregar os melhores produtos, mas também para passar conhecimento de mercado, suporte e carinho.”

Se você estranha essa entrega de carinho junto com os serviços repassados à nova clientela, é hora de ficar atento aos novos universos paralelos que estão sendo criados nesse instante.

Universos criados por pessoas de todas as idades que já perceberam que, apesar da importância essencial dos investidores de capital, o determinante é ter uma ideia que ajude a sensibilizar necessidades latentes de nichos do mercado ávidos por novas experiências.

Esse maravilhoso mercado novo pipoca de todos os lados, apoiado em tecnologias digitais, em acordos informais, em muita entrega e inventividade.

Mas todos os agentes têm em comum a aposta prioritária nas ideias e ideais capazes de mobilizar talentos e depois recursos para criar não apenas os produtos e/ou serviços mas, principalmente, os mercados e os novos hábitos que o sustentarão.

 

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