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Tendências técnológicas afetam os serviços de restaurantes

Rose Mary Lopes

Rose Mary Lopes

Colunista do UOL

Os serviços de alimentação são muito numerosos e cada vez mais as pessoas se alimentam fora de casa: porque estão trabalhando e moram distantes de seus locais de trabalho, porque estão viajando, ou porque querem variar, celebrar, socializar.

Restaurantes, lanchonetes, bares, independentes ou não, de rua ou em shoppings, dentro de hotéis. Todos sofrem impacto das tendências sociais, tecnológicas, econômicas, legais.

Empreendedores desses tipos de negócios precisam estar antenados com as tendências para se preparar, pensar em alternativas, como podem inseri-las, como podem adequar-se a elas.

O avanço da tecnologia é inevitável. Cada vez mais as novas gerações já nascem e crescem plugadas nos novos equipamentos. Como diz alguém em casa: já nascem com o chip desbloqueado! Têm intimidade com os novos recursos de mobilidade. Querem cada vez mais se autosservir e ficar independentes em suas buscas e pedidos.

Desejam opções, experiências novas, promoções. Querem customizar, ajustar seu pedido de acordo com seus gostos. O uso intensificado de smartphones e a geolocalização lhes permitem encontrar vários estabelecimentos a sua volta. Como o seu vai aparecer e atrair sua atenção?

Novidades? Promoções? Links para fotos? Vídeos? Recomendações de outros clientes? Programas de fidelização? Facilidades de reserva?

Os novos aplicativos e softwares já permitem escolher e preordenar os pratos desejados. Até as bebidas. Dependendo do avanço dos recursos há a possibilidade de informar ao restaurante em quanto tempo você chegará lá.

Já existem experimentos em restaurantes fast-food em que, estando no local, e por meio de tablets, o cliente faz seu pedido, escolhendo que ingredientes deseja em seu sanduíche, pizza, ou pasta. E, isto cria um momento de brincadeira quando é feito em família, com as crianças. Ao tocar nos ícones na tela, as pessoas montam a comida que desejam.

Os wearables - tecnologia embarcada em roupas e outros dispositivos eletrônicos – com recursos de geolocalização e de reconhecimento de faces vão permitir que o garçom se direcione corretamente para o cliente e até o chame pelo nome. Portanto, não mais precisará ficar apinhado numa fila do bar! O trabalho e a interação dos garçons será mais para entrega dos pratos e bebidas, bem como retirada destes.

Até mesmo o pagamento – hoje isto já é possível – é realizado pelo celular. Assim, há toda uma questão de otimização de uso de mão de obra, e até a discussão de remuneração por gorjetas versus por remuneração fixa por hora para todos que trabalham nestes estabelecimentos.

Para a decoração? Que tal projetar imagens nas paredes? Que tal o uso de imagens e de sons que favoreçam a degustação, até a acentuação de sabores? Aliás, já há uma nova fronteira denominada neurogastronomia que pesquisa os efeitos da difusão de aromas, formato dos pratos de porcelana, formato dos pedaços de chocolate no sabor etc.

E que revelam que a experiência final do cliente é determinada pelo efeito cumulativo do pacote de estímulos que chegam aos diferentes sentidos. Consultem Charles Spence da Oxford University que é um especialista nesta área.

Continua, de forma avassaladora, a tendência da busca por novos sabores, provocados por diferentes misturas, até radicais, com novos ingredientes e especiarias. Quer na comida, quer em sucos, bebidas, coquetéis, salgadinhos, entradas etc. Muita experimentação já está se sedimentando.

Exemplos: o mel misturado com diferentes tipos de pimenta, os coquetéis de cerveja, adição de algas em molhos, iogurtes com vegetais, mistura de homus com diferentes ingredientes. Coquetéis compartilhados, etc. Lembre que a tendência de saúde e bem-estar continua agindo. Assim, é bom ter opções em seu cardápio.

Mais tendências podem ser consultadas no relatório dos consultores Baum e Whiteman que analisam periodicamente as tendências neste mundo das bebidas e da alimentação. Nos Whitemam Reports. Pois, o empreendedor deste tipo de negócio, bem como os gestores precisam se preparar, bem como qualificar as pessoas que com eles trabalham.

Rose Mary Lopes

Professora e coordenadora do núcleo de empreendedorismo da ESPM.

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