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Nossos empreendedores criativos podem e devem ir além

Rose Mary Lopes

Rose Mary Lopes

Colunista do UOL

A economia criativa é cada vez mais importante no desenvolvimento e na economia dos países. São setores e atividades que envolvem criatividade, inovação, elementos artísticos, culturais e simbólicos.

A Unesco, em seu relatório de Economia Criativa 2013, cita o montante de 624 bilhões de dólares gerados pela economia criativa mundial em 2011, e aponta que a parte formal e privada dessas atividades representariam 5,2% do Produto Interno Bruto dos quarenta países focalizados no relatório.

A média anual de exportações dos países em desenvolvimento teria sido de 12,1% em uma década (até 2011). Aqui na América Latina, representariam 3,4% do PIB na Colômbia, 3,5% na Argentina e 5% no Equador.

Para se ter uma ideia do que isso significa, o site wecreate.org.nz menciona que os setores de música, filme, televisão e livros geraram 3,5 bilhões de dólares para a economia da Nova Zelândia. Envolvendo 15 mil atores, músicos, escritores, autores e editores, que indiretamente contabilizariam 30 mil pessoas dos negócios associados e fornecedores.

Na Inglaterra, que é um dos países que primeiramente se posicionaram no sentido de considerar essa parte da economia como estratégica, em 2012 cresceu 9,4%, índice muito superior a outros setores da economia, gerando 71,4 bilhões de libras, compreendendo 1,68 milhões de empregos diretos e mais 866 mil indiretos.

Nessa economia criativa combinam-se diferentes elementos que são transformados em produtos/bens e serviços tangíveis e intangíveis. Desse modo, envolvem pessoas nas etapas de criação e produção, difusão/ distribuição e circulação, consumo e fruição destes produtos e serviços. Podem envolver direitos autorais e até patentes.

É importante mencionar que a Unesco considera os seguintes grande setores criativos: espetáculos e celebrações, patrimônio natural e cultural, audiovisuais e mídias interativas, livros e periódicos, design e serviços criativos, e artes visuais e artesanato.

No Brasil, a Secretaria de Economia Criativa, ligada ao Ministério da Cultura, no seu Plano para 2011 a 2014 lista os seguintes setores/atividades: expressões culturais (artesanato, artes visuais e culturas populares, indígenas e afro-brasileiras), campo do patrimônio (imaterial e material, museus e arquivos), artes e espetáculo (circo, dança, música e teatro).

Também os de audiovisuais, livro, leitura e literatura (vídeo e cinema, mídias e publicações impressas) e criações funcionais (arte digital, arquitetura, design e moda).

Assim, comparativamente ao Observatório Europeu do Aglomerado Criativo (European Cluster Observatory) e à Inglaterra, deixou-se de fora a publicidade, brinquedos e jogos, software, videogame, pesquisa e desenvolvimento. Pode até ser que alguns desses setores sejam objeto de preocupação e políticas de incentivo da parte de outros Ministérios.

No Brasil, estudo divulgado no fim de 2014, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), revelou que a economia criativa chegou a 2,6% do PIB  - R$ 126 bilhões em 2013, 1,8% dos empregados, abarcando 892 mil pessoas.

Entre 2004 e 2013, o avanço desse setor foi de 69,8%, superando o crescimento do PIB, que no período foi de 36,4%. Ou seja, em época de crise pode ser muito interessante incentivarmos esses setores e atividades.

Eles envolvem conhecimento e são impactados pela tecnologia e inovação, e pela expansão da internet dos equipamentos móveis. O importante é perceber a sua importância e que os empreendedores ampliem as possibilidades nessas atividades.

Melhorar a qualidade e perfil da mão de obra, prover educação e treinamento, mais orientação e suporte, incentivar a criatividade são medidas que estão no âmbito tanto dos empreendedores, quanto de instituições e órgãos de governo. Há oportunidades à volta para gerar renda, inclusão, direitos autorais e, quem sabe, patentes.

Podemos e devemos investir em melhoria de design, diversificação de materiais, melhor exploração de nosso potencial histórico, artístico, cultural, musical. Bem como nas áreas de entretenimento, espetáculos, geração de softwares, jogos, aplicativos etc. Ampliando o uso de nossa criatividade e adaptabilidade, gerando negócios, ocupação de pessoas e renda.

Rose Mary Lopes

Professora e coordenadora do núcleo de empreendedorismo da ESPM.

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