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A importância da experiência para os jovens empreendedores

Rose Mary Lopes

Rose Mary Lopes

Colunista do UOL

Há cerca de um mês escrevi sobre os jovens empreendedores brasileiros destacando que empreender corresponde ao sonho e ao desejo de praticamente um terço deles. E, quanto maior a escolaridade, conforme mostrou a pesquisa o "Perfil do Jovem Empreendedor Brasileiro", mais provável que empreenda.

Entretanto, mesmo com mais anos de escola, isso não os livra de, em vários casos, sentirem dificuldades ao empreender. Pois, nem sempre a formação os prepara para ter um negócio. Mesmo que estudem administração, existe uma diferença entre estudar e lidar com um negócio real.

Esta diferença pode ser menor, por exemplo, no caso deu um jovem que já vem de uma família empresária, na qual o avô foi o fundador do negócio (em 1968), e desde muito cedo acompanha as lides tanto do avô, quanto do pai, com sua revendedora de veículos.

Alguém que aprendeu, por exemplo, o cuidado que se deve ter com os clientes. Que estes apreciam certos rituais: na entrega do veículo, o fundador do negócio – avô – sempre esteve presente. Fazia questão de estar neste momento tão importante. E ajudava a marcá-lo, fazendo com que a aquisição e a posse desse bem não passasse em branco. Esse avô fez isto até pouco antes de falecer no ano passado.

O ritual é mantido por seu filho e seu neto. Mesmo situada numa cidade pequena, no interior de Minas Gerais, em Cambuí, José Geraldo de Morais – o neto – que hoje dirige a concessionária Tatita (apelido do avô), encabeça um negócio que está há 47 anos no mercado e é líder de vendas na região.

José Geraldo integra o grupo de jovens que se interessam e se envolvem com os empreendimentos familiares. E que buscou preparar-se para liderar melhor o negócio: está praticamente formado em administração. O fato de estar mergulhado na empresa certamente deve ter cooperado para extrair do curso o que poderia lhe ajudar mais em sua missão.

Entretanto, nem sempre os jovens têm acesso à especial janela de observação de um negócio dentro de casa. E, por vezes, a motivação é tão grande que eles começam a empreender sem ter a necessária experiência. Neste caso, os resultados, as dificuldades vão ser os grandes mestres.

Dois jovens universitários, em 2012, pouco antes de concluírem seus cursos de graduação, resolveram desenvolver um aplicativo que pudesse ajudar outros jovens como eles a se colocar em filas preferenciais nas baladas e saber em qual delas seus amigos estariam frequentando.

Um deles já se envolvia com este mercado, pois trabalhava nele. Assim, possuía uma boa rede de contatos. Foram aprendendo com o aplicativo e com o negócio "andando". Não é verdade que dominassem a área de programação e de desenvolvimento. Mas insistiram, aprendendo com os erros, com o não retorno e os prejuízos.

E se viraram, progrediram e adicionaram a compra de ingressos para as baladas pelo aplicativo. Entretanto, perceberam, também que este mercado de intermediação de compras de ingresso possui diversos concorrentes. Ou seja, não navegavam em Oceano Azul. Mesmo com as parcerias com os Centros e Diretórios Acadêmicos que puxam as festas universitárias.

Este negócio, do aplicativo VIAPP, em que um dos jovens sócios é Pedro Falanghe, foi reestruturado e adquirido por outro que também se dedica ao mesmo mercado, mas que oferece uma plataforma de gestão – EPOC - para as casas noturnas, integrando áreas como operações, administração, financeiro, clientes, estoque e consumo.

O app ainda oferece alternativa para o pagamento das comandas, quando o cliente quer ir embora para, novamente, contornar o problema das filas. Deste modo, integrando a Oz Technology, se posicionaram ofertando um leque de soluções tecnológicas que atendem às diversas necessidades das casas noturnas.

Reúnem, assim, melhores condições de competir neste mercado, diferenciando-se de concorrentes que não conseguem oferecer a solução completa. E de se consolidar no mercado brasileiro e, depois, de testar o mercado em outros países.

O importante em qualquer caso – tanto daquele jovem que se insere num negócio de sua família com o qual desenvolveu intimidade como do outro que se aventura sem esta bagagem – é que haja muita disposição de aprender, lançando mão de recursos formais ou informais, quer sejam escolas, faculdades, mentorias, trocas com outros profissionais e empreendedores, quer buscando recursos na internet. É ter a disposição de analisar os resultados, os caminhos seguidos, e de buscar meios e alternativas melhores. E de seguir em frente.

Rose Mary Lopes

Professora e coordenadora do núcleo de empreendedorismo da ESPM.

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