! Ilha de Tinos não é Lourdes ortodoxa, nem o primo pobre de Mykonos - 09/01/2011 - EFE - Economia
 

09/01/2011 - 06h03

Ilha de Tinos não é Lourdes ortodoxa, nem o primo pobre de Mykonos

Adriana Flores Bórquez.

Tinos (Grécia), 9 jan (EFE).- "Não, senhora. Não somos somente a Lourdes ortodoxa, tampouco o primo pobre da cosmopolita ilha de Mykonos", afirma o engenheiro Takis enquanto observa o porto a partir da colina de Tinos, a maior ilha do arquipélago das Cíclades, em centro do mar Egeu.

"Nós temos tudo aqui, inclusive heliporto, formosas praias de fácil acesso e outras ainda virgens, a menos de três horas de navio de Atenas", acrescenta o engenheiro.

Takis, de 35 anos, após passar oito anos em Atenas, não se arrepende de ter retornado a sua ilha para dedicar-se ao comércio, agora que os gregos buscam alternativas para sobreviver à pior crise econômica do pós-guerra, que abalou os alicerces da eurozona.

A ilha de Tinos tem 11 mil habitantes, e desde 1823 é o centro de peregrinação mais importante da Grécia, ao qual acodem ao ano 500 mil cristãos em busca de consolo.

Muitos fiéis sobem de joelhos o caminho que leva à catedral da milagrosa "Virgem Evangelista".

Os antigos narradores da Europa ocidental relacionavam indiretamente a peregrinação a Tinos com o da próxima ilha Delos, em homenagem à deusa Ártemis da Antiguidade.

De fato, entre os gregos, três orações em Tinos equivaliam a uma viagem à Terra Santa.

Tinos é um dos poucos lugares da Grécia, fundamentalmente ortodoxa (98%), que convive há quase nove séculos (1207) com os católicos, que são um terço da população total.

Os ilhéus compartilham em harmonia os ritos nas festas do Natal e especialmente, as da Semana Santa, que há anos coincidem na mesma data com as católicas. Algumas de suas celebrações são em grego ao invés de serem em latim.

"Vivemos em paz", afirma à Efe o historiador Alexandros Florakis, mas como em todo conflito, admite que "houve confrontos armados entre os fiéis das duas religiões no início da revolução no século 19".

Tinos é o maior centro de arte em mármore, que ganhou terreno durante os anos do domínio veneziano graças às técnicas que trouxe este poder a partir de outros lugares da Grécia.

Inclusive há relatos do século 14 nos quais os venezianos encomendavam mármore verde para a catedral São Marco, e segundo rumores, este material foi utilizado também no Vaticano, espalhando sua arte pela Alemanha, Bulgária, Romênia, Turquia, Ucrânia, Egito e Rússia.

Um museu sobre a técnica do mármore e sua história pode ser visitado no povoado de Pyrgos, que tem algumas das 20 oficinas da ilha.

A técnica é a mesma usada pelos gregos há 25 séculos, como na Acrópole de Atenas, e atualmente, analistas da ilha trabalham na restauração dos monumentos dessa cidade.

Tinos fica a poucas milhas náuticas da conhecida Mykonos, paraíso dos homossexuais e da "alta sociedade" nacional e internacional, um local que segundo os ilhéus "vai além da igreja, e tem muita beleza natural e boa cozinha".

As celebrações religiosas do santoral culminam em Tinos com uma grande festa com comida, bebida e música tradicional na praça dos povos durante todo o verão.

A construção, que viveu seu auge nos últimos 15 anos, transformou Tinos em um centro de descanso de importantes membros da sociedade grega e atraiu europeus que vivem lá o ano inteiro.

A agricultura constitui somente 12% da economia de Tinos, segundo Manteos Vilas, responsável por uma cooperativa, que acrescenta que "temos de voltar a terra para continuar com nossos produtos".

Outros habitantes locais se aventuram na diversificação da produção, com novos vinhos e a recuperação de receitas de pratos locais de seus antepassados.

A vinícola Halari adoça Tinos desde 1974, assim como o restante da Grécia e o exterior com mais de 350 especialidades, e seus 20 trabalhadores são um exemplo do empenho local para permanecer e florescer em sua terra.

Em julho e agosto o forte vento Meltemi, procedente do sudeste do Mediterrâneo, refresca o ambiente desta montanhosa ilha de paisagens áridas e salpicada de moinhos de ventos e os característicos pombais construídos durante a conquista veneziana.