! Novo governo italiano recebe respaldo do Senado - 17/11/2011 - UOL Economia - EFE
 

17/11/2011 - 19h40

Novo governo italiano recebe respaldo do Senado

Agencia EFE
Roma, 17 nov (EFE).- O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, recebeu nesta quinta-feira o respaldo do Senado da Itália a seu recém-formado governo de tecnocratas, que pretende se basear no rigor orçamentário e no crescimento com, entre outras medidas, as reformas do sistema fiscal e de previdência.

O economista e ex-comissário da União Europeia (UE) conseguiu a aprovação a seu governo no Senado por 281 votos a favor e 25 contra, no que representa o primeiro "sim" parlamentar a um Executivo sem políticos, que amanhã ainda terá que se submeter ao mesmo trâmite na Câmara dos Deputados.

Acompanhado por seus ministros, entre eles o banqueiro Corrado Passera, o outro homem forte deste Gabinete, Monti, que também é o novo titular da pasta de Economia e Finanças, viu quase todos os grupos do Senado lhe darem respaldo, com exceção da Liga Norte, que apoiava o governo anterior, do já ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

O novo chefe de Governo da Itália, que ontem jurou seu cargo ao presidente do país, Giorgio Napolitano, após a renúncia de Berlusconi, antecipou no plenário do Senado o programa de seu Executivo, com o qual pretende cumprir todo o mandato, que termina em 2013.

"O futuro do euro depende também do que a Itália fará nas próximas semanas. Os investidores internacionais possuem quase a metade de nossa dívida pública. Temos que convencê-los de que entramos no caminho de uma redução gradual, mas duradoura, da relação entre dívida pública e PIB", disse o novo premiê.

"Esta relação (de 120%) está hoje no mesmo nível de 20 anos atrás, e é a terceira mais elevada nos países da OCDE. Para chegar a este objetivo, queremos nos apoiar em 3 pilares: o rigor orçamentário, o crescimento e a igualdade", acrescentou.

Monti advertiu, no entanto, que a Itália não terá credibilidade ao buscar e manter estes objetivos se não crescer economicamente, o que o país tenta conseguir desde antes da crise - o premiê lembrou que entre 2001 e 2007 seu PIB aumentou 6,7%, frente aos 12 pontos percentuais de metade da zona do euro.

O programa de governo do primeiro-ministro, que amanhã será votado na câmara baixa, tem duas partes: por um lado, medidas para garantir que as finanças públicas serão sustentáveis, recuperar a confiança dos mercados e manter um crescimento durável e equilibrado. De outro, ações para modernizar as estruturas econômicas e sociais do país.

Entre essas medidas, Monti falou de uma redução das despesas que os políticos representam para o Estado, uma reforma do mercado de trabalho e do sistema de previdência e a luta contra a evasão fiscal.

Ele também se referiu, além disso, a possíveis novos ajustes a serem acrescentados aos planos de austeridade de 79 bilhões e 54 bilhões de euros aprovados por Berlusconi, assim como uma reforma tributária.

"Temos que nos dar conta que, se fracassarmos e se não encontrarmos a necessária unidade de intenções, a espontânea evolução da crise financeira submeterá todos nós, mas sobretudo as camadas mais frágeis da população, a condições muito mais duras", disse Monti.

Em uma teleconferência, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, deram nesta quinta-feira seu apoio a Monti. Além disso, os três líderes se comprometeram a assumir a responsabilidade em conjunto pela manutenção da estabilidade da zona do euro.

Segundo a imprensa italiana, Berlusconi comentou com correligionários nesta quinta no Senado que o Executivo levará o tempo necessário para aprovar as reformas pedidas pela UE, e que depois haverá eleições antecipadas, decisivas para seu partido, que conta com o maior número de cadeiras no Parlamento.

A agência de classificação de risco Fitch deu hoje também um voto de confiança ao novo governo italiano, que segundo ela pode ser uma "surpresa positiva" que rompa a tendência de incerteza nos mercados, apesar de, "provavelmente", a economia da Itália já estar em recessão. EFE