! Em 2011, variedade de ETFs listados na bolsa vai "quase dobrar", diz BM&F Bovespa - 22/12/2010 - InfoMoney
 

22/12/2010 - 19h43

Em 2011, variedade de ETFs listados na bolsa vai "quase dobrar", diz BM&F Bovespa

Infomoney

SÃO PAULO - Após um 2010 positivo, o mercado brasileiro de ETFs (Exchange Traded Funds) promete ter um 2011 marcado pela estreia de novos fundos, recordes de negociações e giro financeiro, assim como pela crescente participação dos investidores pessoas físicas, que já começam a se habituar com esta alternativa de investimento bastante comum lá fora.


As perspectivas positivas para este mercado transbordam, muito por conta do forte potencial de crescimento que ele oferece. Além disso, também tem a questão da facilidade. Essa é a palavra mais pronunciada pelos especialistas de mercado quando o assunto é ETF. Conhecidos como fundos de índice, os ETFs buscam obter o retorno com base em determinado índice de ações, com suas cotas negociadas em bolsa.


Na prática, eles representam uma fração ideal da carteira de ações na qual se espelham - ou seja, representam todas as ações que compõem a carteira teórica do índice usado como referência, além de outros ativos, em menor proporção. Portanto, é uma alternativa que possibilita ao investidor o acesso a um portfólio diversificado sem que ele tenha que aplicar individualmente em todos os papéis que compõem esta carteira.


Assim, o que torna os ETFs um tipo de investimento prático é o fato de que com eles o investidor não precisa administrar todas as ações individualmente nem arcar com o custo para comprá-las e vendê-las de forma a manter a composição do índice de referência.


Em 2011, variedade de ETFs na bolsa vai "quase dobrar", diz BM&F Bovespa

Não apenas a estreia de um novo ano, mas também o surgimento de novos fundos de índice deverão movimentar a BM&F Bovespa em 2011. Atualmente, a bolsa possui sete opções de ETFs, mas este número poderá "quase dobrar" em 2011, segundo o diretor de renda variável da BM&F Bovespa, Julio Ziegelmann.


O diretor da bolsa explica que logo no primeiro semestre do próximo ano, já entrarão no mercado brasileiro dois novos fundos de índice. "Vamos ter uma operação com o BNDES (Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social), que está patrocinando um fundo de índice de carbono eficiente. Este vai ser um ETF importante, tipo o PIBB11. Ainda teremos um processo de colocação no mercado, mas este ETF já deve começar grande", disse Ziegelmann.


Além disso, o diretor também confirmou que o Itaú Unibanco, gestor do primeiro ETF brasileiro, o PIBB11, também lançará no início do próximo ano um novo fundo de índice do setor financeiro. "O processo do novo ETF do Itáu já é concreto: em janeiro começa a ser negociado o novo fundo de índice do setor financeiro", avaliou.


Entre as atuais opções, o BOVA11, fundo de índice que acompanha a carteira teórica do Ibovespa, é o que possui a maior liquidez dentre os fundos de índices nacionais. Até o dia 15 de dezembro deste ano, o BOVA11 foi responsável por R$ 273,2 milhões do total de R$ 330,4 milhões negociados com ETFs na bolsa paulista desde o início deste mês.


Já o fundo de índice mais antigo, o PIBB11, representa mais uma alternativa de diversificação, uma vez que tem como referência o IBrX-50, um índice que simula uma carteira com 50 empresas altamente líquidas e ponderadas pelo seu valor de mercado. O IBrX-100 é referência para o fundo BRAX11.


O MILA11, por sua vez, espelha o índice MidLarge Caps da bolsa paulista, que é composto por empresas de médio a grande porte, enquanto que o SMAL11 é voltado para o índice composto por empresas de menor tamanho listadas na BM&F Bovespa. Além destas opções, existem também os fundos de índices setoriais. O MOBI11 é espelhado no índice que engloba as principais empresas do setor imobiliário na bolsa paulista, enquanto que o CSMO11 tem como referência o índice de empresas do setor de consumo.


Os ETFs BRAX11, CSMO11 e MOBI11 foram criados em 2010 e tiveram o início de seus negócios em 23 de fevereiro deste ano. Dos sete fundos de índices disponíveis atualmente, seis são geridos pela BlackRock Brasil, sendo que apenas o PIBB11 possui o banco Itaú Unibanco como gestor.


BlackRock não descarta possibilidade de novos iShares

O diretor de mercado de capitais da BlackRock, Saulo Mendes, destacou que 2010 foi um ano bastante positivo para o mercado de fundos de índice brasileiro, mas que em 2011 ele deve ser muito melhor. Mendes ressaltou que o segmento está ficando mais competitivo, o que beneficia os investidores, que poderão desfrutar de novas opções para aplicarem seus recursos.


Segundo Mendes, apesar de já gerir seis dos sete ETFs listados na BM&F Bovespa atualmente, a BlackRock não descarta novos projetos. "Temos um plano de sempre aumentar os nossos produtos", disse. O diretor ressaltou ainda que o único concorrente da BlackRock no Brasil atualmente, o Itaú Unibanco, já vai começar o próximo ano lançando um novo ETF no mercado, o que indica que novas operações também poderão surgir por parte da BlackRock.


Entre os potenciais gestores de futuros fundos de índice, Mendes destacou grandes bancos nacionais e internacionais, como Bradesco e Santander. Além disso, o diretor comentou que outro candidato a gerir futuros novos fundos de índice na bolsa brasileira é o BTG Pactual, "que parece estar se interessando por este mercado ultimamente".


Cada vez mais conhecidos

O principal driver para o crescimento do mercado de ETFs no Brasil é o fato de que eles têm se tornado cada vez mais conhecidos pelos investidores. "É um mercado muito novo. Se for parar para pensar, ele existe há apenas dois anos no Brasil, com exceção do PIBB11, enquanto lá fora ele está presente há uns 20 anos", disse Ziegelmann.


Segundo o diretor, acontece que as vantagens que o investimento nestes fundos traz estão sendo naturalmente percebidas pelo mercado. Uma destas vantagens é a maior praticidade em relação aos fundos de ações convencionais. Isso porque, se você for investir hoje em um fundo de ações, vai pegar a cota de amanhã, sem saber qual será. A mesma coisa acontece quando você sai de um fundo de ações: você pede o resgate em um dia e pega a cota de um outro dia. Isso não acontece com os ETFs.


Nesse sentido, o ETF aparece como uma alternativa interessante para quem quer investir no mercado de ações e não tem tempo ou disposição para escolher ações individuais. Basta comprar, por exemplo, um ETF que reproduz um índice de mercado mais amplo, como o Ibovespa, o IBrX-50 ou o IBrX-100, e, pronto, já está investindo de forma eficiente e diversificada.


O diretor da bolsa explica ainda que há um trabalho sendo feito pela empresa no intuito de instruir os investidores sobre os ETFs. "Ainda falta conhecimento sobre o que é o produto e as vantagens que ele oferece. O investidor institucional já conhece bem, mas as pessoas físicas não. A bolsa possui um programa de popularização voltado exatamente para trazer mais pessoas físicas para o mercado", disse Ziegelmann.


Embora muitos ainda tenham dúvidas sobre como investir em ETF, o processo é simples e segue a forma tradicional de aplicar em ações. O investidor deve procurar uma corretora de valores, criar uma conta e fazer as ordens como se estivesse lidando com papéis individuais.


Lote mínimo menor deve aumentar demanda por ETFs em 2011

De acordo com a BM&F Bovespa, um dos vetores para a baixa representatividade dos ETFs no mercado brasileiro em comparação com outros países era o elevado valor cobrado pelo lote mínimo desta modalidade. Pensando nisso, a bolsa paulista aprovou, em julho de 2010, a redução do lote mínimo exigido ao investir em ETFs, a fim de atrair mais investidores para este segmento, em especial as pessoas físicas.


A partir de agosto de 2010, o lote mínimo de ETFs foi reduzido de 100 para 10 cotas, o que reduziu em dez vezes o valor antes cobrado para se aplicar neste tipo de fundo. "O ETF tem características que são excelentes para as pessoas físicas. Uma pessoa física que tenha pouco capital para operar na bolsa não vai conseguir montar uma carteira diversificada. Se ela investir em ETF, com R$ 500,00 ou R$ 600,00, ela consegue ter um papel que vai representar essa carteira diversificada", disse Ziegelmann.


Segundo o diretor da bolsa, os efeitos dessa operação já foram sentidos nos recordes de negociações com ETFs que se sucederam ao anúncio. O impacto positivo também foi sentido pelos gestores dos fundos de índice. "Sem dúvida a gente teve uma redução do ticket médio e um volume bastante maior", revelou Mendes, da BlackRock.


Para 2011, com investimento mínimo na casa dos R$ 500,00 a R$ 600,00, Ziegelmann avalia que os investidores seguirão buscando o mercado de ETFs como uma alternativa para diversificarem seus negócios, a um custo acessível.


Sequência de recordes, tanto em número de negócios quanto em giro financeiro

As excelentes perspectivas para o mercado de ETFs em 2011 decorrem ainda dos recordes registrados neste ano, que devem ser cada vez mais superados no futuro. A BM&F Bovespa anunciou no início do mês que o ETF PIBB11, que acompanha o IBrX-50, atingiu em 2 de dezembro o seu recorde de negócios diários, somando 627, com 41.970 cotas ao preço médio de R$ 95,65. No total, foram movimentados R$ 4,01 milhões. Com isso, o ETF superou o recorde anterior, de 16 de agosto de 2007, com 586 negócios.


Segundo os últimos dados da BM&F Bovespa, desde janeiro até 15 de dezembro deste ano o volume financeiro movimentado pelas negociações com ETFs já atingiram R$ 6,690 bilhões, enquanto que em 2008 o mercado nacional de fundos de índices movimentou a cifra de R$ 1,658 bilhão e em 2009, R$ 4,578 bilhões. "Estes valores devem crescer ainda mais nos próximos anos com a maior oferta de produtos no mercado", disse Ziegelman.


Os dados no exterior, entretanto, revelam que os ETFs já são um fenômeno de popularidade. Segundo a gestora de recursos BlackRock, o número total de ETFs no mercado global alcançou 2.379 ao final do terceiro trimestre de 2010, correspondendo a um montante em torno de US$ 1,18 trilhão. Já a média diária de volume de negociação com este tipo de investimento se elevou em cerca de 14,7% desde janeiro, para US$ 58,2 bilhões.


"Se a gente olha lá pra fora, tem uma melhor dimensão de onde vai o mercado daqui. Na maioria das bolsas estrangeiras, os ETFs têm uma participação muito boa. Acho que 10% é uma participação mínima na grande maioria dos mercados externos no volume. Se a gente pegar Nova York, por exemplo, veremos que essa parcela é de 25%. Já em algumas bolsas como a mexicana essa participação é mais do que a metade, o que eu acho um exagero. A gente não acha que aqui vamos chegar a tanto, principalmente porque a representatividade dos fundos de índice no mercado brasileiro hoje é menor que 1%. Mas, nos próximos anos devemos chegar até os 10%", concluiu Ziegelmann.




































































































Dados da BM&F Bovespa

ETFs

2008

20092010*

PIBB11


Número de negócios
31.374
18.02623.310
Giro financeiro (R$ mil)1.481.818,1698.193,8987.438,8
BOVA11Número de negócios1.96840.875154.149
Giro financeiro (R$ mil)175.945,33.843.065,05.434.531,9
MILA11Número de negócios666148
Giro financeiro (R$ mil)41,99.991,18.195,6
SMAL11Número de negócios124932.739
Giro financeiro (R$ mil)82,627.194,798.098,0
BRAX11Número de negócios----532
Giro financeiro (R$ mil)----32.290,3
CSMO11Número de negócios----623
Giro financeiro (R$ mil)----19.718,8
MOBI11

Número de negócios--
--3.989
Giro financeiro (R$ mil)--
--110.295,6
Total ETFs

Número de negócios33.360

59.460185.490
Giro financeiro (R$ mil)1.657.887,84.578.445,86.690.568,9
* Até 15 de dezembro
OBS.: os ETFs BRAX11, CSMO11 e MOBI11 estrearam em 2010. Antes de 2008, apenas PIBB11 era negociado.