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22/03/2011 - 15h02

Capitalização sugere aquisição no radar da Gerdau, o que pode pressionar ações

SÃO PAULO – Após a Gerdau (GGBR4) anunciar uma capitalização de até R$ 4,2 bilhões através de um processo de emissão de ações, os rumores sobre um movimento de entrada no bloco de controle da Usiminas (USIM3, USIM5) através da compra da participação da Votorantim e da Camargo Corrêa se intensificaram.

“A Gerdau historicamente cresceu via fusões e aquisições, e dessa vez, nós acreditamos que a história poderá se repetir de novo”, escreveu Leonardo Correa, analista do Barclays, em relatório. Segundo Correa, a operação resultaria em sinergia em diversas áreas, como os canais de distribuição, poder de precificação, compartilhamento tecnológico, otimização da capacidade de rolagem entre as companhias e ganhos de escala e logística.

Os fatores envolvidos na oferta de ações – uma possível venda de papéis após a emissão as incertezas quanto aos próximos passos da companhia – provavelmente continuarão a pressionar os papéis da empresa no curto prazo, destaca o relatório.

Ganhos sob pressão no curto prazo
Ademais, o processo afetará os ganhos da empresa no curto prazo, sendo potencialmente positivo apenas no longo prazo. Assumindo um preço por ação em torno de R$ 37 a R$ 45 por ação ordinária, o lucro líquido da Gerdau poderá ser afetado de 7% a 11%, desconsiderando os ganhos com sinergias.

Este valor apresentado pelo Barclays representa um prêmio de 23% a 50% para as atuais ações, e foi baseado nas sinergias potenciais envolvidas e no histórico de transações no setor.

Por outro lado, as ações da Usiminas se valorizaram com base nos rumores da aquisição, e agora já estão adequadamente representando o cenário de consolidação, escreve Correa. Deste modo, com um cenário de ganhos fracos, com pressão por conta dos custos de matéria prima e somadas ao valuation elevado, a recomendação do analista no setor é para voltar os investimentos para a Vale (VALE3, VALE5), baseado nos fundamentos e no valuation da empresa. No entanto, para aqueles que realmente quiserem a exposição à Usiminas, a indicação é para o investimento em USIM5.

Sem necessidade de novas ações
De acordo com a publicação do relatório do Citi acerca da emissão de ações, Correa aponta que não há necessidade para o lançamento de novas ações se não houver a perspectiva de uma aquisição ou fusão. Segundo as estimativas do Barclays, a Gerdau possui uma dívida líquida sobre Ebitda (geração operacional de caixa) em 2011 de 2,2 vezes, valor considerado como gerenciável e que poderia ser expandido, uma vez que a empresa determina que a relação dívida bruta sobre Ebitda deve ser menor que 4 vezes.

Quanto aos fundamentos da empresa, o analista ressalta que ela está melhor posicionada que os seus pares para se aproveitar de uma recuperação do ciclo. “Concluindo, nós acreditamos que é possível que a companhia esteja preparando uma caixa de guerra para se consolidar na indústria doméstica de aço”, escreve Correa.
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