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30/06/2011 - 10h00

Margem de lucro faz com que carros brasileiros sejam tão caros, diz especialista

SÃO PAULO – O lucro da montadoras, e não apenas os impostos cobrados na produção, fazem os carros vendidos no Brasil se tornarem muito mais caros do que os veículos comercializados em outras partes do mundo.

A constatação é do diretor da agência AutoInforme, Joel Leite. Segundo o especialista, diferentemente do que dizem as montadoras, a alta carga tributária não é o principal responsável pelo elevado preço que pagamos pelos veículos.

Ele cita que, com exceção dos carros 1.0, cujo imposto de produção aumentou 0,9% entre 1997 e 2011, a carga tributária dos veículos recuou neste período de tempo. “O carro médio a gasolina paga 4,4 pontos percentuais a menos e o imposto da versão álcool/flex passou de 32,5% para 29,2%”, diz Leite.

No segmento de luxo, o imposto caiu 0,5 ponto no carro a gasolina (de 36,9% para 36,4%) e 1 ponto percentual no álcool/flex.

Portanto, segundo a AutoInforme, o problema em relação aos preços de carro no Brasil é a margem de lucro das montadoras, muito maiores no Brasil do que em outros países.

Margem de lucro elevada
O especialista cita um estudo do Banco Morgan Stanley, que afirma que a margem de lucro das montadoras é mais elevada com carros com aparência de fora de estrada.

“Os técnicos da instituição calcularam que o custo de produção desses carros, como o CrossFox, da Volks, e o Palio Adventure, da Fiat, é 5% a 7% acima do custo de produção dos modelos dos quais derivam: Fox e Palio Weekend. Mas são vendidos por 10% a 15% a mais", diz.

Como exemplo, Leite aponta o Palio Adventure (que tem motor 1.8 e sistema locker) e custa R$ 52,5 mil. Na versão normal, com motor 1,4, o preço é de R$ 40,9 mil, uma diferença de 28,5%.

Ainda de acordo com o levantamento do banco britânico, no geral, a margem de lucro das montadoras brasileiras chega a ser três vezes maior do que a de outros países.

Exemplos
O especialista do AutoInforme cita o exemplo do Honda Civic, fabricado em Sumaré, no interior de São Paulo, e vendido no México por R$ 25,8 mil (versão LX), incluindo o frete, de R$ 3,5 mil, e a margem de lucro da revenda, em torno de R$ 2 mil. Ou seja, sem estes dois itens, o preço do carro no México seria de R$ 20,3 mil.

“No Brasil, se adicionarmos os custos de impostos e distribuição aos R$ 20,3 mil, teremos R$ 16.413,32 de carga tributária (de 29,2%) e R$ 3.979,66 de margem de lucro das concessionárias (10%). A soma dá R$ 40.692”, diz Leite.

Entretanto, o preço pago pelos brasileiros é bem superior: R$ 56.210 pelo modelo. “O Lucro Brasil é de R$ 15.518: R$ 56.210 menos R$ 40.692”, ressalta o especialista.

“Isso sem considerar que o carro que vai para o México tem mais equipamentos de série: freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é o mesmo: 1.5 de 116cv”, completa.

Já na na Argentina, o Civic LX com câmbio manual, airbag duplo e rodas de liga leve de 15 polegadas, custa a partir de US$ 20.100 (R$ 35.600), segundo o site Auto Blog, R$ 20 mil a menos do que no Brasil.

Outro exemplo citado por Leite é o caso do Kia Soul, comercializado no Paraguai por US$ 18 mil (cerca de R$ 28,8 mil), metade do preço do mesmo carro vendido no Brasil. “Ambos vêm da Coreia. Não há imposto que justifique tamanha diferença de preço”, critica.
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