! Consumo leva PIB de 2010 a maior expansão em 24 anos - 03/03/2011 - Reuters - Economia
 

03/03/2011 - 11h22

Consumo leva PIB de 2010 a maior expansão em 24 anos

O consumo das famílias sustentou nova expansão da economia brasileira no quarto trimestre, fazendo o país crescer 7,5% no ano passado, o maior crescimento anual desde 1986.

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,7% no quarto trimestre de 2010 ante o terceiro, pouco abaixo da mediana das expectativas dos analistas consultados pela Reuters, tracionada pelo avanço de 2,5% do consumo, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A mediana de previsões de analistas consultados pela Reuters para a expansão trimestral era de 0,90% --com faixa de respostas de alta de 0,6% a 1%-- e avanço. Na comparação anual, o crescimento foi de 5%, ante uma mediana de 5,05% -- com faixa de 4,2% a 5,8%.

O avanço reflete o efeito das medidas do governo tomadas em 2009, com uma série de incentivos fiscais e afrouxamento da política monetária --para tentar debelar os efeitos da crise global-- que foram mantidas no ano passado. Esta característica foi realçada pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que atribuiu ao consumo o "grande suporte da economia".

O dado vem num momento em que o governo luta para esfriar o ritmo da atividade da economia, em meio à escalada da inflação. Na quarta-feira à noite, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou o juro básico do país em 0,5 ponto, para 11,75%, ao maior patamar em dois anos.

"Vale a pena destacar é que há um aumento do consumo das famílias. E acelerou em relação ao terceiro trimestre, indicando que realmente a gente tem uma pressão de demanda mais forte", disse Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados.

Ao mesmo tempo, alguns dos principais setores de atividade deram sinais de que perderam fôlego, podendo colocar a gestão macroeconômica na situação de ter que ao mesmo tempo conter a expansão da demanda e permitir o crescimento da indústria, afetada pela apreciação do real ante o dólar.

No quarto trimestre em relação ao terceiro, o único segmento que registrou expansão foi serviços, de 1%. Nessa base de comparação, a indústria diminuiu 0,3% e a agropecuária encolheu 0,8%.

"O grande consenso é que o crescimento corre em duas velocidades: os consumidores ainda são o principal fator de expansão, e os exportadores estão ficando para trás", disse  Neil Shearing, economista sênior para mercados emergentes da Capital Economics.