! Cenário externo é complexo, mas país está preparado, diz Tombini - 12/08/2011 - Reuters - Economia
 

12/08/2011 - 00h42

Cenário externo é complexo, mas país está preparado, diz Tombini

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reconheceu nesta quinta-feira que o atual ambiente externo é de "extrema complexidade", mas reiterou que o país está preparado para enfrentar um eventual agravamento da crise.

"Nós temos um nível de incerteza grande e essa nova onda de incerteza é consequência dos países que buscaram (combater) a crise financeira de 2008 ... então, o legado que ficou foi hoje uma grande crise no setor público (dos países avançados)", disse Tombini em evento na capital paulista.

O presidente do BC afirmou que as políticas econômicas adotadas na crise financeira global de três anos atrás não geraram o tipo de crescimento necessário para reerguer as economias combalidas: Estados Unidos e União Europeia.

Para Tombini, no entanto, o Brasil está mais preparado atualmente do que em 2008.

"Nos preparamos para o agravamento do cenário internacional, elevamos o nível de liquidez em moeda estrangeira, elevamos o nível de liquidez em moeda nacional", disse o presidente do BC.

Ele acrescentou que o governo adotou um conjunto de políticas que impactou os fluxos de capital que "vinham com uma força muito grande e que gerariam vulnerabilidade no momento em que esses fluxos revertessem."

"Essas medidas nos deram segurança, segurança de que hoje nós estamos diante de uma possibilidade de um agravamento da crise internacional, e esse cenário mais difícil não terá repercussões financeiras que teria caso as posições, as apostas contra o dólar, no nosso mercado se ampliassem como vinham se ampliando", afirmou ele, lembrando a recente taxação sobre derivativos cambiais para brecar a queda do dólar.

Tombini disse que o governo conseguirá trazer a inflação para o centro da meta em 2012, de 4,5 por cento, e reforçou a importância do equilíbrio fiscal no combate ao aumento dos preços e à própria turbulência atual.

"O importante nesse momento é manter a rigidez fiscal que temos mantido no país", disse Tombini, acrescentando que esse controle tem diferenciado o Brasil de outras economias que no momento enfrentam dúvidas sobre sua capacidade de sustentar suas dívidas.

"Nós estamos fazendo o dever de casa. Adotamos uma política ampla e consistente de equilíbrio monetário por um lado, e nos preparamos para enfrentar o ambiente internacional mais complexo."

(Reportagem de José de Castro)