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28/03/2012 - 17h49

Governo vê risco de greves atrasarem obras no Madeira-fonte

Por Leonardo Goy e Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 28 Mar (Reuters) - O governo está preocupado com a greve nos canteiros das hidrelétricas do Rio Madeira (RO) e já vê possibilidade de atraso nos cronogramas das obras das usinas de Santo Antônio e Jirau, disse uma fonte que acompanha o andamento das negociações.

Como medida de precaução, a pedido do estado de Rondônia, a Força Nacional de Segurança Pública está mantendo homens de prontidão nas proximidades dos canteiros.

No ano passado, um tumulto eclodiu no canteiro de Jirau, durante o qual até alojamentos foram queimados.

Procurada, a assessoria de imprensa da Energia Sustentável do Brasil, responsável por Jirau, informou que não há por enquanto estudos sobre eventuais atrasos no cronograma.

A Santo Antônio Energia informou, também via assessoria de imprensa, que não se posicionaria neste momento.

A votação secreta dos trabalhadores sobre a retomada das atividades em Jirau, que estava marcada para esta quarta-feira, foi adiada segundo a Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (Conticom).

"(O plebiscito) não foi realizado. Deveria ter sido realizado se houvesse clima de tranquilidade para fazer", disse o presidente do Conticom, Claudio Gomes.

Segundo o representante do sindicato o clima é "tenso" no canteiro, mas ele negou que haja violência. Ele disse que uma comissão de trabalhadores que participam das negociações foi impedida de entrar no canteiro de Jirau pela construtora Camargo Correa, que lidera as obras.

A Camargo Correa negou ter impedido a entrada no canteiro.

A greve no canteiro da usina hidrelétrica Jirau culminou também na greve no canteiro da outra usina do rio Madeira, a hidrelétrica de Santo Antônio.

Na quinta-feira, haverá a audiência conciliatória no Tribunal Regional do Trabalho, em Porto Velho, em mais uma tentativa de se chegar a um acordo.

Inicialmente, os trabalhadores de ambas as usinas pediam um aumento salarial de 30 por cento, entre outras reivindicações. Os sindicatos, no entanto, tem agora uma proposta de antecipação do aumento salarial de 8 por cento, no caso da usina hidrelétrica Santo Antônio, mas ainda não há consenso formal entre trabalhadores e empreendedores sobre a proposta.

A usina hidrelétrica Santo Antônio (3.150 MW) está sendo construída pelo consórcio Santo Antônio Energia, formado por Furnas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Cemig e pelo FIP Amazônia Energia. A Odebrecht lidera as obras civis e a estimativa era de que a usina entrasse em operação comercial ainda no início deste ano.

Já a usina Jirau (3.750 MW) é de responsabilidade da Energia Sustentável do Brasil, da qual fazem parte a GDF Suez, Camargo Correa, Eletrosul e Chesf. A previsão é de que a usina comece a operar no final de 2012.

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