! IPCA-15 sobe 0,18% em junho e acumula alta de 5% em 12 meses - 21/06/2012 - Reuters - Economia
 

21/06/2012 - 09h13

IPCA-15 sobe 0,18% em junho e acumula alta de 5% em 12 meses

Camila Moreira
Da Reuters, no Rio de Janeiro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) -considerado uma prévia da inflação oficial- subiu 0,18% em junho, ante alta de 0,51% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (21).

O resultado veio abaixo do esperado pelo mercado e reforça a perspectiva de mais reduções na Selic, hoje a 8,5% ao ano. Pesquisa da agência de notícias "Reuters" mostrou que o indicador subiria 0,28% neste mês, de acordo com a mediana de 16 previsões. As estimativas variaram de 0,23% a 0,39%.

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 registrou alta de 5%, abaixo dos 12 meses imediatamente anteriores, quando ficou em 5,05%.

De acordo com o IBGE, ao passar de uma queda de 0,25% em maio para recuo de 0,77% em junho, Transportes foi o grupo que mais contribuiu para a redução do índice na comparação mensal, segundo o IBGE. Com Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) zero a partir de 21 de maio, os preços dos automóveis novos caíram 3,5%, segundo o IBGE.

A medida também influenciou o mercado de carros usados, cujos preços ficaram 2,62% mais baratos que, junto com o comportamento dos preços de veículos novos, teve impacto de 0,16 ponto percentual de queda no índice do mês.

O grupo Alimentos, ainda segundo o IBGE, apresentou alta de 0,66% em julho, depois de subir 0,62% no mês anterior. Os maiores impactos nesse grupo vieram das altas dos preços devido a fatores climáticos em tomate (19,48%), cebola (16,22%), batata inglesa (6,70%), hortaliças (3,29%), óleo de soja (3,2%) e arroz (2,02%).

O resultado do IPCA-15 de agora confirma que os preços vêm arrefecendo, como já haviam mostrado outros indicadores de inflação. Nesta semana, por exemplo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) desacelerou para uma alta de 0,63% na segunda prévia de junho, ante elevação de 1% no mesmo período de maio.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como meta oficial de inflação, também já havia mostrado sinais de fraqueza, ao desacelerar para uma alta de 0,36 por cento em maio, após subir 0,64% em abril.

O IBGE divulga no dia 6 de julho os dados do IPCA referentes a junho. A meta de inflação do governo é de 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Juros

O movimento de perda de força dos preços é importante para o Banco Central dar continuidade à sua política de redução da taxa básica de juros, hoje na mínima histórica de 8,5%, principalmente diante das dificuldades que a economia brasileira vem encontrando para deslanchar.

Na segunda-feira, o mercado estimou que o IPCA fechará este ano em 5%, de acordo com relatório Focus divulgado pelo BC. Para 2013, a expectativa foi cortada de 5,60% a 5,54%.

Diante do ritmo lento da atividade no Brasil, a equipe econômica da presidente Dilma Rousseff já abandonou a previsão inicial de crescimento de 4,5% do PIB para este ano e fala em algo em torno de 3%.

O PIB cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre do ano comparado com os últimos três meses de 2011, mostrando que a economia brasileira ainda patinava. O pior cenário é na indústria, cuja produção registrou a segunda queda seguida em abril, ao recuar 0,2% frente a março.

Com esse cenário, o governo tem buscado maneiras para fazer a atividade econômica no país voltar a crescer com mais vigor. A última foi na semana passada, quando anunciou uma linha de crédito de R$ 20 bilhões para que os Estados possam realizar investimentos em infraestrutura.

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