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02/01/2013 - 14h26

Análise: Alívio sobre abismo fiscal não percebe o essencial

Edward Hadas
Da Reuters, em Londres

O abismo fiscal foi evitado. Os mercados acionários asiáticos e europeus avançaram de 1% a 3% depois que o Congresso norte-americano conseguiu evitar cortes de gastos e aumentos tributários antes obrigatórios. O rali não deve durar muito.

A resposta inicial foi racional. A inércia sobre as medidas, que teriam começado imediatamente, provavelmente levaria a uma recessão norte-americana, quase que inevitavelmente causando uma desaceleração global. Ainda assim, a crise total é basicamente desanimadora. Não havia necessidade de um prazo final, se apenas o Congresso e o presidente tivessem sido capazes de concordar em qualquer momento dos últimos quatro anos com um plano de redução de deficit. A resolução temporária foi completamente previsível --um compromisso bagunçado e inadequado com aumentos de impostos e compromissos vagos de reduzir os gastos. Isso poderia ter sido feito há dias, semanas ou meses.

De maneira igualmente boba, batalhas emergem. Os cortes obrigatórios foram suspensos por apenas dois meses, para perto de um momento em que Washington terá que aumentar o limite dos empréstimos do governo norte-americano. Prepare-se para mais retórica amarga e roeção de unhas --e outra escapatória apertada.

Os Estados Unidos sofrem dos problemas quase universais das economias desenvolvidas: anos de altos déficits fiscais, muito maiores desde a crise financeira de 2008 e da subsequente recessão. Os Estados Unidos são excepcionais, no entanto. Seus políticos parecem singularmente incapazes de viver com os déficits resultantes ou concordar em como reduzi-los.

O resultado é um impasse estrutural e uma série de crises. A eleição de 2012 não foi suficientemente decisiva para mudar o padrão. O sistema financeiro global continuará refém de um debate entre uma grande e ruidosa minoria da população norte-americana que quer desesperadamente impostos mais baixos e uma maioria menos comprometida que não quer grandes cortes nos serviços do governo.

Seria melhor se os políticos disfuncionais norte-americanos não fossem tão cruciais para a economia global e se o dólar não fosse tão crucial para o sistema financeiro. Mas é muito cedo para o primeiro mudar, e muito tarde para o segundo. A crise continuará rolando até os investidores tornarem os empréstimos dos Estados Unidos extremamente caros. Por enquanto, entretanto, os mercados estão otimistas com mais do mesmo.

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