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23/10/2009 - 08h37

Escassez faz a Venezuela racionar água e energia

SÃO PAULO - A Venezuela vai impor medidas de racionamento de água e eletricidade. Segundo o governo, isso é necessário porque o fenômeno climático El Niño reduziu a quantidade de chuvas esperadas para a estação, o que afetou o volume dos reservatórios das hidrelétricas e das estações de captação de água potável. Especialistas dizem que o governo negligenciou o setor.

O presidente Hugo Chávez criou um novo Ministério de Eletricidade e prometeu acelerar a construção de novas hidrelétricas. Ele responsabilizou o fenômeno El Niño e o consumo excessivo dos venezuelanos pela situação. " Algumas pessoas cantam no chuveiro, por meia hora, e não crianças. Três minutos é mais que suficiente. Eu contei, três minutos. E não cheiro mal. Se você vai se recostar na banheira, e liga a... como é mesmo o nome... a Jacuzzi. Imagine, que tipo de socialismo é esse? Não estamos em tempos de Jacuzzi " .

O El Niño é uma alteração que ocorre de tempos em tempos na distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico, com profundos efeitos no clima. A mudança no padrão dos ventos e nas correntes de água quente muda o clima em várias regiões, desde a Indonésia até o Sertão brasileiro, em alguns lugares provocando chuvas excessivas e em outros, seca.

A geração de energia na Venezuela depende em quase 70% de hidrelétricas. O resto vem de usinas termelétricas e da importação de excedentes da Colômbia - país com o qual o governo Chávez mantém relação tempestuosa.

Entre os planos do governo estão o aumento de tarifas para os maiores usuários, a distribuição de 50 milhões de lâmpadas mais eficiente e a proibição de importação de produtos eletrônicos " gastadores " de energia. A fornecedora estatal de água de Caracas, a Hidrocapital, vai reduzir o suprimento em 25%, de 400 litros por pessoa para 300 litros, até maio, início da estação de chuvas.

Além disso, o presidente determinou que todos os órgãos do governo cortem já o consumo de energia e de água em 20%.

Analistas discordam da análise de Chávez sobre os motivos da escassez. " O governo negligenciou a rede elétrica e agora está correndo para consertar a situação, enquanto a demanda continua a crescer " , disse Ricardo Sucre, professor de ciências políticas da Universidade Central da Venezuela, em Caracas. " Houve uma série de promessas de investimentos que não foram cumpridas. " A escassez pode afetar a imagem da revolução socialista do presidente e acontece pouco antes das eleições legislativas de 2010. No ano passado, a Venezuela sofreu uma série blecautes devido a uma crescente demanda por energia elétrica, baixo investimento e queda no nível das hidrelétricas.

O consumo de energia vem crescendo a uma média de 4,3% nos últimos 12 meses, de acordo com o CNG, o operador da rede elétrica venezuelana. O consumo caiu um pouco em 2007 e 2008, em parte por causa da campanha do governo de trocar 78 milhões de lâmpadas incandescentes, que gastam muita energia, por fluorescentes. Além disso, Chávez importou de Cuba pequenas centrais geradoras de energia termelétrica. Segundo o operador da rede, o país está usando mais diesel e gás natural em suas usinas termelétricas do que há um ano. Em agosto, último mês em que há dados disponíveis, o consumo de diesel foi 8,8% maior, o de gás natural cresceu 12%, e o de outros combustíveis aumentou 71%, em relação ao mesmo mês de 2008.

(Valor, com agências internacionais)

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