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04/07/2011 - 10h23

IPC-Fipe reforça fim de quedas mais fortes da inflação, diz Gradual

SÃO PAULO- O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na cidade de São Paulo fechou junho com um bom resultado em relação a maio, mas já denota o fim de quedas mensais fortes, avalia André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. O índice, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), desacelerou de 0,31% em maio para 0,01% em junho.

"O IPC-Fipe veio em linha com minha projeção, mostrando que alimentação e transportes contribuíram mais uma vez com a deflação, mas a tendência é que esses itens parem de contribuir tão fortemente", diz. Perfeito tinha previsto estabilidade, após o indicador ter ficado em deflação de 0,05% na terceira prévia do mês. Mais uma vez, os principais responsáveis pelo recuo mensal do índice foram os grupos transportes, com queda de 0,9%, e alimentação, que registrou retração de 0,58%. Na divulgação anterior (terceira quadrissemana), as variações negativas desses itens, no entanto, foram mais acentuadas, de 1,07% e 0,67%, respectivamente.
Segundo Perfeito, o arrefecimento das quedas pode evidenciar que as boas notícias para a inflação podem estar acabando. "Posso imaginar que está ocorrendo o fim do efeito deflacionista dos combustíveis, e de outro lado está sendo apontada pela FGV uma evolução do preço da passagem aérea", afirma o economista.

No quesito alimentação, o que preocupa o analista é o clima, com recordes de baixas temperaturas no Sul do país, o que pode afetar a produção de alimentos in natura. As hortaliças e legumes têm sido, nas últimas semanas, os produtos que puxaram para baixo os preços de alimentos. "Sugiro que prestemos atenção na evolução desses alimentos. A região Sul está enfrentando um efeito climático como o ocorrido no início do ano, quando houve enchentes no Rio que destruíram parte da produção", alerta.

Perfeito ressalta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a ser divulgado na próxima quinta-feira, será o grande número a ser conhecido na semana em matéria de inflação, para o qual prevê avanço de 0,15%, contra 0,08% projetado pela mediana do mercado. "O IPCA vai confirmar se os preços dos combustíveis pararam ou não de cair".
(Arícia Martins | Valor)
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