! Após denúncia de pirâmide, Herbalife perde 40% do valor na Bolsa - 24/12/2012 - Geral - Valor Online
 

24/12/2012 - 14h21 / Atualizada 24/12/2012 - 14h47

Após denúncia de pirâmide, Herbalife perde 40% do valor na Bolsa

As ações da fabricante de produtos para emagrecimento Herbalife operam em queda na Bolsa de Nova York pelo terceiro pregão consecutivo, depois que Bill Ackman, famoso investidor "ativista" --que procura opinar nas empresas onde detém participação--, classificou o negócio da companhia como um "esquema de pirâmide".

Desde o dia 20, quando a Pershing Square Capital Management, gestora de recursos do empresário, fez uma apresentação de três horas para explicar por que escolheu ter uma posição vendida nas ações, os papéis caem 40%.

Preço-alvo das ações é zero, diz investidor; empresa promete resposta

Segundo Ackman, o preço-alvo para os papéis da Herbalife é zero e sua opinião é que a empresa vai falir em breve. Ele acusa o grupo de ter causado danos financeiros a milhões de pessoas nos EUA e ao redor do mundo, em favor do enriquecimento de seu presidente, Michael Johnson.

A companhia, entretanto, nega as acusações desde que a apresentação foi divulgada e diz que vai rebater cada ponto levantado pelo investidor durante seu encontro com o mercado em 10 de janeiro. Para provar sua confiança no negócio, a administração reafirmou um programa de recompra de ações de US$ 50 milhões por trimestre.

Fundada em 1980, a Herbalife alcançou tanto um valor de empresa --dívida líquida somada ao valor de mercado-- como receitas comparáveis ao de grandes grupos americanos de bens de consumo, entre eles a Energizer Holdings e a Clorox Company --os dois com mais de cem anos.

Ackman mostra na apresentação que a companhia começou com um faturamento de US$ 23 mil e, em 31 anos, chegou a uma receita líquida de US$ 5,4 bilhões --até 2020, a previsão é de US$ 10 bilhões. Sua margem bruta, ou quanto das vendas não são consumidas pelos custos, também impressiona: 80,2%. A maioria do setor não chega a mais de 50%.

De acordo com o fundador da Pershing Square, não é uma política agressiva de preços nem a inovação em diferentes segmentos que garante esse sucesso, já que todos os produtos da Herbalife são, em média, mais caros do que a concorrência e a maioria de suas novidades são vendidas também pelas rivais.

Ele afirma que a companhia ganha com o recrutamento de seus "distribuidores" e não com a venda dos produtos, o que ele acredita ser um esquema de pirâmide. Ele calcula que 2 milhões de pessoas já foram "enganadas" e perderam US$ 2.000, em média, cada uma. Desde 1980, o total de perdas para os "distribuidores" chega a US$ 3,8 bilhões.

Para não ganhar em cima da tragédia alheia, Ackman garantiu que todos os recursos levantados com a posição vendida que tem nas ações da Herbalife --que já devem ter rendido algum dinheiro, visto que o mercado comprou sua ideia-- será doado a entidades filantrópicas.

(Renato Rostás | Valor)

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