! Ofertas públicas iniciais tiveram em 2007 seu grande ano - 02/01/2008 - UOL Economia
 

02/01/2008 - 07h00

Ofertas públicas iniciais tiveram em 2007 seu grande ano

Guilherme Cuchierato

Da Redação
O ano de 2007 foi o ano do mercado das emissões públicas iniciais de ações, as conhecidas IPOs, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Do inglês "Initial Public Offering", que significa oferta pública inicial, as IPOs atingiram níveis recordes de número de operações, de volume financeiro, de número de investidores e de número de ações que mais se valorizaram no seu dia de estréia.

Sem contar a estréia das ações da Tempo Participações, empresa de serviços da GP Investments e da família Moreira Salles, ocorrida no dia 19 de dezembro, em 2007 aconteceram 63 ofertas públicas iniciais, número 142% maior do que o total de operações dessa natureza ocorridas em 2006. Nos dois anos anteriores, 2004 e 2005, o total de IPOs foi de sete e nove, respectivamente.

No que diz respeito ao volume financeiro girado nas operações de ofertas públicas iniciais, o ano de 2007 também foi de expressivo recorde. Nesse ano, foram negociados R$ 55,1 bilhões, cifra 258% maior do que a de 2006, ano em que foram movimentados R$ 15,4 bilhões. Do mesmo modo, nos dois anos anteriores, o volume financeiro que os negócios de IPO promoveram foi de R$ 5,4 bilhões e R$ 4,5 bilhões, respectivamente.

Ajuda a explicar o "sucesso" do mercado de IPOs o cenário conjuntural da economia brasileira. Atualmente se verifica um momento de crescimento da atividade econômica, a inflação está sob controle, as taxas de juro estão em declínio, e o crédito tem se expandido.

Além disso, outro fator que contribui para que as operações de oferta públicas iniciais de ações venham ganhando tanto espaço no mercado de capitais brasileiro são as crises de crédito por que passam os mercados norte-americano e europeu, na medida em que esse fenômeno causa maior atração dos investidores internacional pelos negócios brasileiros.

Com efeito, os investidores estrangeiros são os principais compradores das IPOs, desde que esse tipo de operação começou a ser praticada de modo consistente e regular no mercado de capitais brasileiro, em 2004. Naquele ano, os estrangeiros ficaram com R$ 3,1 bilhões de IPOs (cerca de 69,7% do total). Nos dois anos seguintes, esses investidores compraram R$ 3,4 bilhões (62,4%) e R$ 11,3 bilhões (73,3%), respectivamente. Em 2007, a participação do investidor internacional foi de 68,6%, o que equivaleu a R$ 37,8 bilhões.

Cumpre aqui dizer que a Bolsa de Valores viveu um período de mais de uma década em que aconteceram poucas ofertas. Mais precisamente, entre 1995 e 2003, ocorreram apenas seis IPOs.

Outro indicador que mostra que 2007 foi um ano caracterizado pela exuberância das IPOs no mercado de capitais foi a rentabilidade das ações das empresas que fizeram ofertas públicas iniciais no dia de estréia, em relação ao preço de lançamento.

MAIORES ALTAS NA ESTRÉIA
BOVESPA HOLDING200752,13
GAFISA200629,46
GVT HOLDING200727,22
REDECARD200724,07
BM200722,00
ANHANGÜERA200721,39
DASA200420,00
MRV200719,23
COMPANY200618,75
SÃO MARTINHO200718,30
EMPRESASANOVARIAÇÃO (%)
Das dez empresas que cujas ações apresentaram as maiores valorizações no dia em que estrearam na Bolsa, sete fizeram suas emissões em 2007: Bovespa Holding (do setor financeiro, com alta de 52,13% no primeiro dia), GVT Holding (setor de telecomunicações, 27,22%), Redecard (setor financeiro, 24,07%), BM&F (setor financeiro, 22%), Anhangüera (serviços educacionais, 21,39%), MRV (setor da construção civil, 19,23%) e São Martinho (setor sucroalcooleiro, 18,30%).

As outras três empresas que tiveram as maiores altas foram Gafisa (do setor da construção civil, que estreou em 2006 e se valorizou 29,46% no primeiro dia), Dasa (do setor de análises clínicas e medicina diagnóstica, com estréia em 2004 e alta de 20%), e Company (do setor da construção civil, com estréia em 2006 e alta de 18,75%). Nenhuma das nove empresas que fizeram suas IPOs em 2005 obteve valorização tão elevada no dia de estréia a ponto de figurar nesse ranking "top 10".

Ainda a respeito das performances das ações no dia de estréia, das 63 empresas que fizeram suas IPOs em 2007 (sempre sem contar a IPO da Tempo Participações), 37 (58,73% do total) se valorizaram em relação ao preço de lançamento, nove (14,29%) não tiveram variação, e 17 (26,98%) caíram. Dessas últimas, as ações que mais se desvalorizaram foras as da Agrenco (queda de 14,23%) e da JBS (queda de 12,50%).

Desvalorizações como essas acontecem porque, ainda que as IPOs venham sendo importantes instrumentos de captação de recursos para as empresas, nem sempre tal expediente se sustenta no mercado acionário. Basta que os investidores percebam que faltam informações sobre a sustentabilidade financeira da companhia, ou do setor em que ela atua, para que se inicie o movimento de venda dos papéis e a cotação deles despenque.

O que analistas recomendam aos investidores é que se faça um diagnóstico detalhado do mercado em que a empresa atua, estudando os motivos pelos quais a companhia busca capital, para que "surpresas" como essas não aconteçam, porque, de uma maneira geral, investimentos em IPOs devem ser analisados em perspectiva de longo prazo.