! Previsão do governo para PIB de 2008 não deve se concretizar, dizem economistas - 12/03/2008 - UOL Economia
 

12/03/2008 - 13h30

Previsão do governo para PIB de 2008 não deve se concretizar, dizem economistas

Ana Carolina Lourençon

Da Redação
O Produto Interno Bruto (PIB) fechado de 2008 deve registrar uma expansão mais modesta do que os 5% estimados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, segundo avaliação do economista-chefe da UPTrend consultoria, Jason Vieira.

"Deve crescer abaixo disso, cerca de 4,5%, devido à crise da economia norte-americana. O Brasil não possui a 'blindagem' contra problemas externos, mas mesmo que piore a situação internacional, a expansão ainda pode ser relativamente alta em função da entrada de recursos no país", afirma.

De acordo com o professor e pesquisador do Ibmec São Paulo Marcelo Moura, o patamar que o governo espera atingir para o PIB neste ano só parece viável em um cenário mais otimista do que o atual, que considera a iminência de recessão nos Estados Unidos.

"Muitos países em desenvolvimento mantêm ritmo elevado de crescimento em parte por conta da inércia do ano passado, ou seja, os investimentos e o aumento do consumo registrados em 2007 ainda demoram um tempo para fazer efeito na economia, e é o que está sendo visto agora", declara.

"Os números de 2007 vieram muito positivos, mas o Brasil está no limite, não tem estrutura para agüentar maior expansão", diz Vieira.

No setor industrial, por exemplo, cujo PIB no ano passado expandiu-se 4,9%, Vieira afirma que deve haver uma parada, por conta da taxa de juros.

"O mesmo corte de juros que levou ao crescimento do setor no último ano, já não é mais impulsionador e está dentro do seu limite", afirma.

Segundo relatório divulgado pela UPTrend no início de março, o Brasil está na liderança do ranking de maiores juros reais (juro nominal subtraído da inflação prevista para os próximos 12 meses), com 6,73%, fator que desestimula investimentos da iniciativa privada e deve ser responsável por estabilizar a atividade industrial nos próximos meses.

Moura avalia que o Brasil está passando por uma das fases mais difíceis, pois precisa dar um importante e complicado passo de sair do nível intermediário de crescimento para o desenvolvido.

"A China e a Índia estão hoje pulando do nível de pobreza para o intermediário, que é mais fácil, e o Brasil já fez dos anos 50 aos 70. Agora não basta apenas investir capital, mas priorizar áreas como educação e combate à corrupção, para resolver entraves do crescimento", declara.