! Guia: como investir em fundos? - 23/04/2008 - UOL Economia
 

23/04/2008 - 20h29

Guia: como investir em fundos?

O que é um fundo de investimento?
Um fundo de investimentos pode ser comparado a um condomínio. Cada um dos investidores é um "morador" desse prédio e dono de uma cota ("apartamento").

Os cotistas (os "moradores") compram uma quantidade de cotas ao aplicar e pagam uma taxa de administração a um terceiro (o administrador) para coordenar as tarefas do fundo e gerenciar seus recursos no mercado.


Ao comprar cotas de um determinado fundo, o cotista está aceitando suas regras de funcionamento (aplicação, resgate, horários, custos etc.) e passa a ter os mesmos direito dos demais cotistas, independentemente da quantidade de cotas que cada um possui.

O funcionamento dos fundos de investimento obedece às normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a um regulamento próprio.

É muito importante que se faça a leitura do regulamento do fundo de investimento, pois é nele que poderão ser encontradas as regras de diversificação da carteira de ativos, grau de risco, taxa de administração e despesas, regras de aplicação e resgate de cotas etc.

O que é uma cota?
Uma cota é a fração de um fundo. O patrimônio de um fundo de investimento é a soma de cotas que foram compradas pelos diferentes investidores. O valor da cota é resultante da divisão do patrimônio líquido do fundo pelo número de cotas existentes.

Quando o investidor aplica seu dinheiro no fundo, está comprando uma determinada quantidade de cotas, cujo valor é diariamente apurado. As instituições informam o valor das cotas dos fundos nos principais jornais ou na Internet.

O valor da cota se altera diariamente, mas sua quantidade de cotas é sempre a mesma, exceto quando:
  • Há um resgate (sua quantidade de cotas diminui)

  • Há uma nova aplicação (um novo montante de cotas está sendo adquirido)
  • Acontecer o recolhimento de Imposto de Renda ("come-cotas"). Nesse caso, o valor devido de IR será abatido em quantidade de cotas

    Tipos de fundos
    Os fundos de investimento são regidos e classificados de acordo com as normas determinadas pela Instrução 409 de 18 de Agosto de 2004 da CVM ( Comissão de Valores Mobiliários).

    A Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) desmembrou os tipos de fundos para melhor entendimento de estratégias e riscos embutidos nas mais diversas modalidades de fundos. Acompanhe abaixo as classificações:

    Classificação CVM: Curto Prazo
    Classificação Anbid: Curto Prazo e Aplicação Automática

    Investem seus recursos exclusivamente em títulos públicos federais ou privados de baixo risco de crédito.

    Esses títulos podem ser de renda fixa, pós ou prefixados, e geralmente sua rentabilidade está atrelada à taxa de juros (Selic ou CDI).

    Investem em papéis com prazo máximo a decorrer de 375 dias e o prazo médio da carteira é de, no máximo, 60 dias. Por estas características, são considerados os mais conservadores, indicados para investidores com objetivo de investimento de curtíssimo prazo, pois suas cotas são menos sensíveis às oscilações de taxas de juros.

    Classificação CVM: Referenciado
    Classificação Anbid: Referenciado DI e Outros

    Os fundos Referenciados identificam em seu nome o indicador de desempenho que sua carteira tem por objetivo acompanhar. Para tal, investem no mínimo 80% em títulos públicos federais ou em títulos de renda fixa privados classificado na categoria baixo risco de crédito.

    Além disso, no mínimo 95% de sua carteira é composta por ativos que acompanhem a variação do seu indicador de desempenho, o chamado benchmark.

    Usam instrumentos de derivativos com o objetivo de proteção (hedge). Os fundos referenciados mais conhecidos são os DI´s. São fundos que buscam acompanhar a variação diária das taxas de juros (Selic/CDI), e se beneficiam em um cenário de alta de juros.

    Classificação CVM: Renda Fixa
    Classificação Anbid: Renda Fixa, Renda Fixa Médio e Alto Risco e Renda Fixa com Alavancagem

    Aplicam uma parcela significativa de seu patrimônio (mínimo 80%) em títulos de renda fixa prefixados (que rendam uma taxa de juro previamente acordada) ou pós-fixados (que acompanham a variação da taxa de juros ou um índice de preço).

    Além disso, usam instrumentos de derivativos com o objetivo de proteção (hedge).

    Nos fundos de Renda Fixa, acontece o oposto dos fundos Referenciados DI, pois se beneficiam em um cenário de redução das taxas de juros.

    Classificação CVM: Multimercado
    Classificação Anbid: Balanceados, Multimercados Sem RV, Multimercados com RV, Multimercados sem RV com Alavancagem, Multimercados com RV com Alavancagem, Capital Protegido e Long and Short RV

    São fundos que possuem políticas de investimento que envolvem vários fatores de risco, pois combinam investimentos nos mercados de renda fixa, câmbio, ações, entre outros.

    Além disso, podem utilizar ativamente de instrumentos de derivativos para alavancagem de suas posições, ou para proteção de suas carteiras (hedge).

    São fundos com alta flexibilidade de gestão, por isso dependem do talento do gestor na escolha do melhor momento de alocar os recursos (market timing), na seleção dos ativos da carteira e no percentual do patrimônio que será investido em cada um dos mercados (asset mix).

    Classificação CVM: Ações
    Classificação Anbid: Ações IBVSP Indexado, Ações IBVSP Ativos, Ações IBVSP Ativo com Alavancagem, Ações IBX Indexado, Ações IBX Ativo, Ações IBX Ativo com Alavancagem, Ações Setoriais Telecomunicações, Ações Setoriais Energia, Ações Outros e Ações Outros com Alavancagem

    São fundos que investem no mínimo 67% de seu patrimônio em ações negociadas em Bolsa. Dessa forma, estão sujeitos às oscilações de preços das ações que compõem sua carteira.

    Alguns fundos desta classe têm como objetivo de investimento acompanhar a variação de um índice do mercado acionário, tal como o Ibovespa ou IBrX. São mais indicados para quem tem objetivos de investimento de longo prazo.

    Classificação CVM: Cambial
    Classificação Anbid: Cambial Dólar Sem Alavancagem e Cambial Euro Sem Alavancagem

    Esses fundos devem manter no mínimo, 80% de seu patrimônio investido em ativos que sejam relacionados, diretamente ou indiretamente (via derivativos), à variação de preços de uma moeda estrangeira, ou à uma taxa de juros (o chamado cupom cambial).

    Nessa classe os fundos mais conhecidos são os chamados fundos Cambiais Dólar que objetivam seguir a variação da cotação da moeda norte americana.

    Mas é importante ficar atento, pois estes fundos não refletem exatamente a cotação da moeda, pois nele estão envolvidos custos de taxa de administração, Imposto de Renda, bem como a variação da taxa de juro.

    Classificação CVM: Dívida Externa
    Classificação Anbid: Investimento no Exterior
    Aplicam no mínimo 80% de seu patrimônio em títulos brasileiros negociados no mercado internacional. Os 20% restantes podem ser aplicados em outros títulos de crédito transacionados no exterior.

    Esses títulos são mantidos no exterior. Para o investidor no Brasil, este fundo é a única forma de aplicar nos papéis emitidos pelo governo brasileiro negociados no exterior.

    Riscos
    São três os tipos de risco. Eles não existem isoladamente. Estão interligados e um pode ser conseqüência do outro. Por isso, é muito importante a escolha da instituição que administrará seu patrimônio.

  • Risco de crédito: é o risco decorrente da possibilidade de a contraparte não cumprir suas obrigações, parcial ou integralmente, diante da data combinada.

    Consiste não somente em risco de a instituição ficar totalmente inadimplente com suas obrigações, mas também em apenas poder pagar uma parte de seus compromissos, após a data combinada.

    Neste tipo de risco, o emissor de títulos pode não honrar o principal ou o pagamento de juros. Um investidor aceita um investimento com alto risco de crédito pela compensação de ter uma rentabilidade maior.

    Importante: quando você compra cotas de um fundo de investimento não está aderindo ao risco de crédito da instituição que administra o fundo. O risco está na carteira, não em quem administra.

    Se a instituição na qual você tem investimentos quebrar, você só vai perder a parcela do patrimônio investida em ativos desta instituição financeira. Vale reforçar que um fundo não pode ter mais que 20% do seu patrimônio investido em papéis da mesma instituição financeira que o administra. Se não houver papéis daquela instituição na carteira, o banco quebra e seu dinheiro continua protegido no fundo.


  • Risco de liquidez: esse risco é decorrente da dificuldade em se conseguir encontrar compradores potenciais de um determinado ativo no momento e no preço desejado. Ocorre quando um ativo está com baixo volume de negócios e apresenta grandes diferenças entre o preço que o comprador está disposto a pagar (oferta de compra) e aquele pelo qual o vendedor gostaria de vender (oferta de venda).

    Quando é necessário vender algum ativo num mercado ilíquido, tende a ser difícil conseguir realizar a venda sem sacrificar o preço do ativo transacionado.

  • Risco de mercado: este tipo de risco é associado à possibilidade de desvalorização ou de valorização de um ativo (título público ou ação, por exemplo), devido às alterações políticas, econômicas ou em decorrência da situação individual da empresa ou banco que emitiu o ativo.

    É a possibilidade de ocorrer mudanças no valor do seu investimento associadas à notícia ou acontecimento que diz respeito direta ou indiretamente à aplicação que você escolheu. Um exemplo clássico é a Bolsa de Valores, que tem altas ou baixas em conseqüência de movimentos favoráveis ou desfavoráveis do mercado.


  • O que é alavancagem
    No caso dos fundos de investimento, é a possibilidade de ocorrer perda superior ao patrimônio líquido de um fundo. É verdade que isso aumenta as chances de ganho. Porém, o uso desta estratégia aumenta o risco para quem participa de um fundo de investimento que usa a estratégia de alavancagem.

    O investidor pode até ser chamado pelo administrador para fazer aportes que cubram eventuais prejuízos. O regulamento e o prospecto informam se o gestor do fundo está autorizado ou não a fazer esse tipo de operação.

    Como investir em fundos
    O primeiro passo é escolher o fundo que mais atenda aos seus objetivos. Depois disso, para fazer a primeira aplicação, você deve procurar informações de quais os procedimentos que a instituição financeira escolhida determina para iniciar suas aplicações.

    Na maioria dos casos, as empresas solicitarão o preenchimento de um cadastro, cópia dos documentos pessoais e, talvez, a abertura de uma conta corrente.

    Há vários canais de atendimento para auxiliar os investidores: agências, centrais telefônicas, Internet e consulta pessoal.

    Taxas

    Taxa de administração
    É a mais freqüentemente cobrada pelos fundos. É quanto o fundo (os cotistas) deve pagar pela prestação de serviço do gestor, do administrador e das demais instituições presentes na operacionalização do dia a dia.

    A taxa de administração pode variar muito de instituição para instituição e de produto para produto e ela é um percentual ao ano sobre o patrimônio do fundo.

    Normalmente, os fundos de renda fixa têm taxas mais baixas do que os de fundos de ações.

    Mas não caia no erro de aplicar num fundo só porque a taxa de administração é menor ou maior. Nem sempre há uma relação direta ou oposta entre o valor da taxa de administração e o desempenho do fundo.

    Importante: quando o administrador divulga a rentabilidade de um fundo, ela já é liquida de taxa de administração. Para saber qual a taxa de seu fundo, consulte o prospecto.

    Taxa de performance
    Esta é a taxa cobrada do cotista quando a rentabilidade do fundo supera a de um indicador de referência, conhecido como benchmark, e serve para remunerar uma boa administração.

    Esse indicador é previamente estabelecido desde a criação do fundo e o cotista tem conhecimento antes mesmo de fazer a aplicação. A taxa de performance é cobrada somente sobre a rentabilidade que ultrapassar o benchmark, e existe uma periodicidade mínima para sua cobrança.

    Como nem todo fundo cobra esta taxa, saiba se o fundo que você pretende aplicar cobra ou não consultando o prospecto.

    Exemplo: Se um fundo apresenta taxa de performance de 20% sobre o que exceder a variação do CDI, significa que, se a rentabilidade do fundo ultrapassar esta marca, você ficará com 80% do excedente:
    Rendimento do Fundo no ano: 15%
    Variação do CDI no ano: 10%
    Excedente sobre o qual incidirá a performance: 5%
    Taxa de performance ou remuneração "extra" que será paga: 1%

    Importante, quando o administrador divulga a performance de um fundo ela já é liquida de taxa de performance.

    Onde é possível tirar dúvidas sobre fundos?
    O site comoinvestir.com.br, da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), oferece informações sobre investimento em fundos.

    No portal do investidor, da CVM, também é possível obter informações sobre esse tipo de aplicação.

    Dúvidas ainda podem ser esclarecidas pela central de atendimento da CVM, que funciona de segunda a sexta-feira, exceto feriados nacionais, das 8h às 20h, pelo telefone 0800-7260802.

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    Fontes
    Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid)
    Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
    Corretora Ágora
    Faculdade de Engenharia Industrial (FEI)
    Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
    XP Investimentos